Paulo Portas desafia Sócrates a dizer abertamente que "não quer governar"

03.02.2010 - 14:56 Por Lusa
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, desafiou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, a “ter coragem” de dizer abertamente que “não quer governar o país” e que quer provocar uma crise política a pretexto das finanças regionais.
“Se alguém quer uma crise política tenha a coragem de dizer que não quer governar o país na situação em que o deixou. Voltou o pântano e voltaram aqueles que querem abandonar o país no momento mais difícil”, afirmou Paulo Portas, numa alusão à demissão do ex-primeiro-ministro socialista António Guterres.
O líder do CDS-PP discursava no encerramento das jornadas parlamentares do partido, que decorreram em Guimarães.
Para Paulo Portas, “é uma falta de respeito” um primeiro-ministro "ameaçar sistematicamente com o esticar da corda”.
“É uma falta de respeito por quem está desempregado, por quem tem salários baixos”, disse, apelando para que haja “moderação” e reiterando “o espírito de compromisso” do CDS-PP que entregou propostas de alteração que reduzem o impacto financeiro da lei “em três quartos”.
“Com este espírito de compromisso e esta atitude de entendimento e de pôr o interesse nacional à frente do interesse partidário, digo que se querem arranjar um pretexto para crise política, isso significa falta de respeito para com o povo português, mas então digam-no abertamente”, reiterou.
Paulo Portas frisou que as finanças regionais são da responsabilidade do Governo da República e do Governo regional.
“Enquanto o ministro das Finanças e o presidente do Governo da Madeira andavam publicamente aos tiros, o que fazia o CDS? Fazia de ONU e de capacete azul, procurava formas de entendimento”, disse, insistindo que a “a questão quantitativa já não justifica qualquer espécie de crise”.
A lei das finanças regionais e propostas de alteração vão ser votadas em plenário na próxima sexta-feira. O líder do CDS-PP não revelou qual o sentido de voto da bancada. O Governo já afirmou publicamente que a aprovação da proposta de lei oriunda da Madeira criaria um problema político muito sério.

