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Frente a frente na TVI

Paulo Portas afasta cenário de futuro Governo de coligação com o PS de Sócrates

09.05.2011 - 22:06 Por Sofia Rodrigues

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José Sócrates e Paulo Portas tiveram um debate crispado José Sócrates e Paulo Portas tiveram um debate crispado (Nuno Ferreira Santos)
Primeiro foi um “namoro” às claras. José Sócrates defendeu um “Governo forte na Assembleia da República” e “diálogo” com os dois partidos que subscreveram o acordo com a troika – PSD e CDS. “O CDS não gera anti-corpos, pelo contrário”, lançou o líder do PS, no início do debate televisivo, esta noite, na TVI.

A resposta foi, também, pela primeira vez, clara. Paulo Portas sustentou que “não se deve colocar os 78 mil milhões da ajuda financeira externa nas mãos de quem andou a gastar mais e a endividar mais, ou seja, José Sócrates”.

O líder do CDS afirmou estar a ser “coerente” com o pedido que fez ao primeiro-ministro para sair do Governo em Julho de 2010. “Este primeiro-ministro vai perder as eleições porque as pessoas vão votar de bolsos vazios e sabem quem é responsável”, disse Paulo Portas, dias depois de o líder do PSD ter assumido que não quer integrar o PS num futuro governo de maioria social-democrata.

Ao longo de um debate tenso, o líder do PS insistiu no que considera ser a contradição do CDS ao chumbar o PEC IV no Parlamento e depois vir a assinar as “mesmas” medidas previstas no acordo de ajuda externa. “O doutor Paulo Portas votou contra o PEC, abriu uma crise política, empurrou o país para a ajuda externa e subscreve um acordo que no essencial tem todas as medidas. O que é que o país ganhou com isso?”, questionou Sócrates, sustentanto que o acordo “não é mais do que um PEC detalhado”.

Paulo Portas justificou o apoio ao acordo com a iminência de Portugal entrar em ruptura financeira e contrapôs com os números da dívida pública, dos juros da dívida e do desemprego: “A história não começou há seis semanas, mas sim há seis anos”.

O líder do PS e candidato a primeiro-ministro (como aliás Portas fez questão de o tratar) responsabiliza a crise financeira internacional pelas dificuldades económicas em Portugal e pela necessidade de o Estado se ter endividado para “apoiar as famílias”. E acusou o CDS de nunca ter apresentado medidas de contenção orçamental, completando um slogan do discurso de Portas: “Diz que o PS é incompetente, o PSD não é convincente mas o CDS é ausente na responsabilidade orçamental por estar apenas a pensar na popularidade”.

O líder do CDS confrontou então Sócrates com a intenção de o Governo de congelar as pensões mínimas no PEC IV, o que foi negado pelo primeiro-ministro demissionário. Portas estava preparado para a resposta e leu uma nota de rodapé do documento que dava conta da poupança gerada pela medida e que se manteve mesmo na versão final do texto.

Confrontado pela moderadora, Judite de Sousa, com as declarações dos representantes da troika sobre um pedido tardio de ajuda financeira externa, Sócrates negou que essas afirmações tivessem sido feitas. E sobre a sua indisponibilidade para governar com o FMI – assumida antes do pedido de ajuda – Sócrates esclareceu as suas declarações. “O que quis dizer é que lutei muito intensamente para não ter ajuda externa”, disse, acrescentando que “um político dizer que está disponível para governar com o FMI é assumir uma derrota”. Um recado para Passos Coelho.

O líder do PS revelou ainda que pretende avançar com o TGV, na linha Lisboa-Madrid, uma vez que o contrato já está assinado. E justificou a decisão também pelo facto de a comparticipação nacional do projecto ser muito “diminuta”. TGV e submarinos foram alvo de uma troca de acusações entre os dois líderes partidários. Já quase sem hipótese de responder, Portas ouviu o remate de Sócrates: “Invisto em TGV, não em submarinos. O senhor comprou, mas fui eu que os paguei”.

Notícia actualizada às 23h06

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Comentário + votado

Sócrates 1 - Oposição 0

Nem quero aqui comentar ou fazer juizos de opinião sobre a governação de Sócrates, mas em relação ...

João Campos

09.05.2011 22:19