O deputado Paulo pedroso, antigo ministro do Governo de António Guterres, denunciou hoje aquilo que diz ser uma acomodação dos militantes socialistas à pressão da governação, afirmando que o PS não passa hoje de um bastidor do Governo.
Em declarações ao Rádio Clube, Paulo Pedroso, que concorda com as críticas de alguns sobre a falta de debate interno. Referindo-se ao congresso de Espinho, que se inicia amanhã, o deputado diz esperar um congresso de um partido onde não há debate interno.
“Há uma acomodação dos militantes à pressão da governação. O PS é um bastidor do Governo”, disse Pedroso.
Mas diz também que um ano de eleições não é o momento apropriado para uma reforma do funcionamento do partido, que é, segundo ele, esperada há 30 anos.
Coligação sim, minoria não
Para Pedroso, se o resultado das eleições legislativas deste não for uma maioria relativa, o PS deve pensar em coligações, não avançando com sugestões sobre o partido da oposição que o PS deveria convidar para formar Governo.
“Se isso não acontecer [se o PS não puder governar sozinho] o PS devia procurar uma solução de Governo estável e não de Governo minoritário”, diz, apesar de lembrar que a moção de José Sócrates ao congresso socialista dá essa hipótese de coligação como “extemporânea”.
Pedroso afasta contudo um possível entendimento com o CDS-PP: “A vulnerabilidade do CDS-PP, as propostas que chegam ao limite da xenofobia, o discurso populista, fazem com que [o PP] não possa ser o parceiro de um grande socialismo democrático.”


