Paulo Pedroso apela ao PS para não desistir de ter aliados à esquerda

06.07.2010 - 13:09 Por Maria José Oliveira
O ex-ministro socialista alertou hoje que é necessário “desbloquear” a esquerda democrática em Portugal. E isso passa por ter aliados à esquerda e por “alternativas sólidas aos governos de maioria absoluta”.
Na primeira sessão das jornadas parlamentares do PS, que hoje terminam, na Assembleia da República, Paulo Pedroso fez um discurso de auto-crítica que se centrou na necessidade de o PS se reaproximar dos movimentos sindicais e de não ter receio de procurar entendimentos à sua esquerda.
“O PS tem de carregar o peso das medidas sozinho ou em ‘coligação Europa’, que, no caso português, se manifestou na constituição do Bloco Central, entre 83 e 85”, afirmou, lançando depois o desafio aos socialistas: “Não temos aliados à nossa esquerda que percebam os dramas que o país enfrenta, mas não podemos desistir de os ter.”
E argumentou: “Para desbloquear a esquerda democrática portuguesa é preciso também que haja alternativas sólidas aos governos de maioria absoluta”, referindo depois que este apelo não se dirige apenas ao PS, mas também aos restantes partidos da esquerda (Bloco e PCP) “para que aceitem o princípio da realidade, a opção europeia do país, para que sejam capazes de gerir as lideranças e saber o que é necessário”.
Momentos antes, Paulo Pedroso tinha alertado para os efeitos prejudiciais do distanciamento do PS em relação ao movimento sindical, chegando mesmo a afirmar que não iria provocar o “embaraço” de perguntar quantos deputados estiveram ou estão ligados a sindicatos.
“Temos de revisitar a nossa agenda sindical”, disse, realçando a importância da actuação dos sindicatos numa democracia de mercado.

