Passos não faz campanha na Madeira e considera situação “grave e irregular”

20.09.2011 - 21:10 Por Luciano Alvarez
Pedro Passos Coelho não vai fazer campanha na Madeira ao lado de Alberto João Jardim para as eleições regionais, marcadas para 9 de Outubro, e não poupa críticas ao líder regional. Em entrevista à RTP1, o primeiro-ministro admitiu ainda que Portugal poderá ter de renegociar o empréstimo feito pela "troika" e chegar mesmo a pedir uma nova ajuda financeira.
O primeiro-ministro afirmou que enquanto líder do Executivo não se deve envolver em disputas partidárias e menos ainda quando foi “conhecida uma situação grave e irregular”, referindo-se à dívida da região escondida por Alberto João Jardim e que rondará os 1891,3 milhões de euros.
“Nas actuais condições, em que foi conhecida pelo país uma situação que é grave e que é irregular, que tem custos de reputação para Portugal, não seria compreensível que o primeiro-ministro fizesse qualquer confusão de carácter partidário e se envolvesse na campanha eleitoral da Madeira”, afirmou.
O primeiro-ministro afirmou ainda que “o Governo tem de assegurar, em primeiro lugar, que todo o trabalho que vai ser feito e completado de avaliação da real situação da Madeira não será objecto de olhares partidários, mas de olhares de Estado”.
O Governo, acrescentou Passos Coelho, “tem nesta altura uma responsabilidade muito grande: aos eleitores da Madeira, ao país e à comunidade internacional, mostrar exactamente qual é a dimensão das finanças públicas no arquipélago e, sobretudo, criar condições para que se possa corrigir uma coisa que não devia ter acontecido e que não pode voltar a acontecer”.
O Chefe do executivo admitiu que o que sucedeu na Madeira “aproxima-nos da Grécia” numa altura em que queria distinguir-se da Grécia e admitiu que a questão, "nos termos em que apareceu, causa embaraço ao PSD”.
Passos acrescentou ainda que a dívida agora detectada não vai ter “um impacto significativo ou relevante” no défice deste ano, porque “é dívida anterior a 2011”.
Em matéria de impostos, Passos Coelho afirmou não poder garantir “neste momento” que não haja um aumento da taxa intermédia do IVA (13%) ou que ela seja eliminada. “Não posso garantir que vai manter-se a taxa intermédia do IVA”, afirmou, remetendo uma decisão sobre a matéria para um estudo que está a ser feito pelo Ministério das Finanças. Afastou, no entanto, um aumento da taxa normal do imposto.
Referiu também que redução da Taxa Social Única (TSU) vai ter “de ser financiada com a reestruturação do IVA”.
Passos admite segundo pedido de ajuda financeira
Passos Coelho admitiu também que poderá ter de renegociar o empréstimo feito pela "troika" a Portugal e não excluiu mesmo a possibilidade de um segundo empréstimo. "Se alguma coisa muito grave acontecer na Grécia, não podemos excluir essa possibilidade", afirmou.
O primeiro-ministro assegurou também que o TGV “está suspenso”. “Não vai avançar”, disse, acrescentando que, por mais dinheiro que oferecessem para avançar com a obra, ela “seria deficitária”.
Acrescentou, porém, que o Governo terá “de renegociar o projecto” e falou na possibilidade de fazer “uma linha de velocidade boa (250 quilómetros/hora) que não o TGV, e que custa quatro vezes menos” que a alta velocidade.
Numa entrevista de cerca de uma hora, Passos Coelho qualificou de “muito boa” a saúde da coligação PSD/CDS-PP e de “impecáveis” as relações institucionais com o Presidente da República. Sobre as privatizações, afirmou que “o Governo nunca aceitará vender empresas a preço de saldo”.
Já no final, Passos garantiu que os membros do Governo continuarão a viajar em classe económica nas viagens de curta duração.
Numa entrevista no Palácio de São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro, Passos vestiu uma camisa branca e uma gravata azul clara, sob um fato azul escuro onde sobressaía uma pequena bandeira de Portugal na lapela esquerda.
Notícia actualizada 23h20

