Eleições legislativas

Passos e Portas prontos para “namorar” a maioria

06.06.2011 - 01:43 Por Luciano Alvarez, João Pedro Pereira

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“Esta noite quem ganhou foi Portugal”, disse Passos Coelho “Esta noite quem ganhou foi Portugal”, disse Passos Coelho (Daniel Rocha)
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas devem iniciar ainda hoje contactos para tentarem um entendimento com vista à formação de um Governo de coligação de maioria parlamentar.

Os líderes dos dois partidos deixaram ontem claro quererem esse entendimento, depois dos resultados das legislativas que deram a vitória ao PSD, com 38,6% (105 deputados) dos votos, com o CDS a obter 11,7% (24 deputados). Juntos somam 50,03%. O “namoro” vai começar.

No dia em que o país virou à direita, os grandes derrotados foram o PS e o Bloco de Esquerda. Os socialistas, que viram Sócrates dar-lhes o melhor resultado de sempre em 2005 (45%), tiveram agora o pior resultado dos últimos 20 anos (28,1%, 73 deputados). José Sócrates pediu de imediato a demissão de secretário-geral do PS e garantiu que não ocupará nenhum cargo político.

Já os bloquistas viram reduzido para metade o número de deputados. Obtiveram 5,2% dos sufrágios e passaram de 16 para oito deputados.


A CDU (PCP e os Verdes) está entre os que podem cantar vitória. Manteve a votação de há dois anos (7,9%), mas ganhou mais um deputado, passando a ter 16 assentos parlamentares, voltando a ser a quarta força política.

Mas o que vai estar no topo da discussão política nos próximos dias é a negociação entre PSD e CDS-PP para um acordo de Governo.

Passos Coelho garantiu, no seu discurso de vitória, que fará todos os esforços para assegurar que “os portugueses terão um Governo de maioria liderado pelo PSD” e garantiu que os contactos com o CDS devem começar muito em breve.

Já Portas confirmou a disponibilidade do CDS-PP para construir uma maioria de direita em Portugal. Sem dizer se os populares vão formar Governo com o PSD, frisou que a votação de hoje dá ao seu partido “importância e responsabilidade”.

Acrescentou ainda que o resultado das eleições “não deu a maioria absoluta a um só partido”, dizendo depois que o mais importante a partir de agora “é a governação de Portugal”.

Passos frisa vontade de mudança

Pedro Passos Coelho, o último dos líderes dos cinco principais partidos a falar na noite eleitoral, frisou também a "vontade de mudança" que acabou por se traduzir no voto no PSD. "É uma vontade inequívoca de abrir uma janela de esperança e de confiança para o futuro", afirmou.

O líder do PSD disse acreditar que o entendimento com o CDS-PP é possível, até pelo que já ouviu de Paulo Portas.

“Esta noite quem ganhou foi Portugal”, afirmou Passos Coelho, que se mostrou satisfeito com o resultado, mas salientou que, devido à crise em que o país vive, "este não é o momento para triunfalismos".

Passos prometeu “trabalho absoluto” e “transparência total” no que respeita aos sacrifícios pedidos aos portugueses e acrescentou que vai ser necessária muita coragem.

“Os anos que nos esperam vão exigir de todo o nosso Portugal muita coragem. Sabemos as dificuldades que enfrentamos. Precisamos de muita coragem para vencer as enormes dificuldades, precisamos também de alguma paciência, porque nós sabemos que esses resultados não aparecerão em dois dias”, afirmou.

"Vai ser difícil, mas vai valer a pena. Eu sei que vai valer a pena", acrescentou.

O líder do PSD reiterou a sua indisponibilidade de ‘abrir’ o Governo ao PS, mas garantiu disponibilidade para dialogar com os socialistas e fez votos para que o PS respeite aquilo que negociou com a 'troika'.

“Julgo que o país não perceberia que eu dissesse na noite das eleições o contrário”, frisou.

PS: o senhor que segue

O PS ficou-se pelos 28,1 por cento de votos (73 deputados) – é o pior resultado socialista nos últimos 20 anos. As eleições de 1991, quando Cavaco Silva foi eleito primeiro-ministro pela terceira vez, tinham sido as últimas em que o PS tinha obtido menos de 30 por cento.

O resultado levou José Sócrates a assumir a derrota e a demitir-se do cargo de secretário-geral, num discurso ainda antes de o escrutínio ter terminado.

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