Passos Coelho: “Uma nação com amor-próprio não anda de mão estendida”

03.02.2012 - 10:50 Por Nuno Sá Lourenço
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou nesta sexta-feira no Parlamento que o empenho do Governo em aplicar medidas de austeridade e atingir as metas definidas no acordo da troika servirá para evitar que o país ande de “mão estendida”.
“Uma nação com amor-próprio não anda de mão estendida”, respondeu Passos Coelho depois de o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, o ter questionado sobre o que queria dizer quando prometeu cumprir o acordo da troika “custe o que custar”.
“Está a pensar em quem, quando diz que vai pagar custe o que custar”, perguntou o comunista, exortando o primeiro-ministro a especificar se tencionava “acrescentar sacrifícios aos que já pagam” ou se admitia estar a “pensar nos banqueiros”.
Passos Coelho, depois de ter dito que já lhe “falta imaginação” para responder sempre às “mesmas questões” do PCP, reiterou a ideia de que o Governo que dirige "está a cumprir o que é suposto um Governo de um país honrado cumprir”: “O custe o que custar tem o sentido que qualquer português percebe.”
No arranque do debate, Jerónimo de Sousa recordou ao primeiro-ministro o “novo recorde no desemprego” e um conjunto de casos que exemplificavam o “calvário” em que, para o PCP, se havia tornado a vida dos portugueses. Falou nos que “começam a ter de escolher entre comer e pagar os medicamentos” ou os que “se deixam morrer por não terem dinheiro para ir ao hospital”.
Passos Coelho respondeu com os “resultados” que as contas públicas começavam a mostrar. Desagravamento do défice de 4,4% do PIB, redução de 2,1% do desequilíbrio externo em percentagem do PIB, e quebra do financiamento externo do país.

