Pedro Passos Coelho recusou aceitar “chantagens de estabilidade” e considerou que esta “deixa de ser útil se servir para agravar os problemas do país”. A reacção do líder do PSD surge depois de José Sócrates ter afirmado que “qualquer crise política prejudicaria a economia e o país”.
“É isto que eu gostaria que o PS e o Governo tivessem bem presentes na sua consciência. Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitaremos a chantagem de que não podemos falar dos problemas, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota”, afirmou Passos Coelho, que falava no encerramento do XII Congresso Nacional dos Trabalhadores Social Democratas (TSD), na Régua.
José Sócrates, que falava na qualidade de secretário-geral do PS, afirmou este sábado que qualquer crise política “deitaria por terra” o esforço dos portugueses para defender a economia e acusou a direita de querer impor uma “agenda ideológica contra o Estado”. Sublinhando que Portugal “só terá sucesso se tiver estabilidade política”, Sócrates insistiu na tese de que “qualquer crise política prejudicaria a economia e o país”.
Passos Coelho respondeu hoje que a estabilidade “não é um programa” e que “ninguém se pode comprometer perante o seu partido ou o seu país com o objetivo da estabilidade”. “A estabilidade é um instrumento e será avaliada e avalizada na medida dos resultados que se proporcionarem. Se a estabilidade servir para agravar os problemas, então a estabilidade em si deixa de ser útil”, salientou.
O líder social-democrata afirmou mesmo que o seu partido tem sido “uma âncora de estabilidade” no país e lembrou que, até hoje, nenhuma medida que o Governo tivesse considerado decisiva deixou de ser adotada porque o PSD não aceitou. “Deixem-me dizer àqueles que de repente parecem ter descoberto que a estabilidade é um valor supremo, de que ela vale de muito pouco se nós não resolvermos os problemas e não formos à raiz dos problemas”, reforçou.
Passos Coelho pediu ainda aos TSD e ao novo secretário-geral eleito hoje, Pedro Roque, que ajudem o PSD a pedir essa estabilidade. “Tenho a certeza que os TSD vão ajudar muito o PSD a não falhar num próximo Governo quando se tratar de voltar a criar riqueza em Portugal e emprego e a pôr o país a crescer como nós precisamos”, sublinhou.


