Passos Coelho quer maioria absoluta e admite aliança com CDS

26.03.2011 - 10:31 Por Nuno Sá Lourenço, Maria José Oliveira, Nuno Simas
Os Governos de maioria, entendimentos alargados ou abrangentes entraram no debate político em pré-eleitoral e de crise. O Presidente da República, Cavaco Silva, que na próxima semana vai decidir a dissolução do Parlamento, quer que um futuro Governo tenha um apoio maioritário no Parlamento.
Pedro Passos Coelho, líder do PSD, pediu ontem, em entrevista à SIC, abertamente uma maioria absoluta nas próximas legislativas, sem excluir a hipótese de incluir o CDS nesse Governo “abrangente”.
Neste xadrez, o “grão” na engrenagem chama-se José Sócrates. Para engrenar um entendimento alargado de Governo ou um Bloco Central igualmente alargado após as legislativas deste ano. Se a vitória couber à direita (PSD e CDS-PP). Foi o que admitiram ao PÚBLICO, nos últimos dias, dirigentes do PSD e do CDS.
As motivações são diferentes. Os sociais-democratas consideram terem-se esgotado as relações de confiança entre Pedro Passos Coelho e Sócrates. Além das (muitas) divergências entre PS e PSD sobre as respostas à crise – só concordam mesmo nas metas do défice até 2013. Admitem, porém, ser mais fácil um entendimento com um outro secretário-geral dos socialistas, seja António José Seguro ou Francisco Assis. Dirigentes do PS e putativos sucessores de Sócrates, que, no Parlamento, têm demonstrado atitudes mais dialogantes com a bancada “laranja”.
Na direcção de Passos, o máximo que se defende é mesmo um “Governo abrangente”. Com o CDS, entenda-se, mesmo que o PSD ganhe com maioria absoluta.
No CDS, Paulo Portas defendeu, em Julho do ano passado, que Sócrates deveria demitir-se – o discurso do “saia, sr. primeiro-ministro” –, dando lugar a um Governo PS-PSD-CDS. Pelo que, hoje, tornar-se-ia praticamente impossível um acordo entre socialistas e democratas-cristãos.

