Pedro Passos Coelho voltou ontem à noite ao palco do Congresso de Mafra com críticas ao Programa de Estabilidade e Crescimento e um repto ao Governo para que adie por duas semanas a votação do documento na Assembleia, de forma a ter tempo de o discutir com o novo líder do PSD.
“Se o primeiro-ministro quer do PSD algum acordo para exibir em Bruxelas, que não escolha ele sozinho o caminho. E que aceite não o votar no dia 25 de Março, mas sim 15 dias depois, para o poder discutir com o novo líder do PSD”, desafiou o candidato a presidente deste partido.
No mesmo dia em que o Conselho de Ministros aprovou a redacção final do documento, ainda não conhecida publicamente, Passos Coelho criticou algumas das opções: “O Governo propõe que sejam os funcionários públicos a fazer sacrificios mas também que sejam as famílias a deduzir menos na educação e na saúde. Mas as familias não deviam pagar nada na saúde e nada na educação”, defendeu, criticando que, por outro lado, o Estado gaste “todos os anos mais 400 milhões de euros com a RTP”.
Antes, Paulo Rangel tinha estabelecido como uma das prioridades para o país a necessidade de “libertar os portugueses do peso da dívida, reduzindo-o as famílias, para as empresas e para o Estado”.
A segunda prioridade, defendeu, é a promoção da mobilidade social. “Temos de fomentar o aparecimento de uma classe média forte em termos de conhecimento e inovação. O sonho social democrata é uma forte classe media, que não vive com luxos, mas com conforto, sem necessidade de contar os tostões”, acrescentou.
Rangel pede maioria absoluta
Numa intervenção mais ideológica, defendeu que o PSD “é um partido de liberdade, mas não é liberal”, antes um “partido social”, Rangel avançou no tempo e pediu desde já uma maioria absoluta para as próximas eleições legislativas.
“É esse projecto ganhador, de maioria, que deve desde já pôr-se ao lado de uma recandidatura presidencial” de Cavaco Silva. “Se conseguirmos esse desiderato talvez cheguemos a esse sonho: um Governo, uma maioria, um Presidente”.
Muito mais prudente foi José Pedro Aguiar-Branco. Também defendeu o apoio à recandidatura de Cavaco Silva, mas quanto à oposição ao Governo, não foi além da declaração de valores que devem distinguir o PSD: “Autenticidade, transparência e sentido de unidade”. “Os cinco anos do Governo Sócrates fizeram descer a transparência ao grau zero. Temos todos dúvidas sobre as relações do governo com o poder económico, o poder mediático e até o poder judicial . Hoje foi dado o primeiro passo para essa reabilitação”, afirmou.
Castanheira Barros passou ao lado destes grandes temas. Preferiu defender, em sede de revisão constitucional, a substituição dos representantes da República nas regiões autónomas por um presidente da região. Apontou o turismo como um dos grandes objectivos para o país. Em matéria partidária, colocou o acento tónico na modernização informática e administrativa. Os candidatos acabaram de falar perto das duas horas da manhá, quando ainda estavam inscritos cerca de uma centena de oradores e se previa apenas mais uma hora para intervenções.


