Passos Coelho pressiona Ferreira Leite e dá tiro de partida para corrida à liderança do PSD

13.10.2009 - 22:42 Por Nuno Simas
O ex-deputado não impõe prazos para se realizarem as directas no PSD, mas avisa que esperar “demasiado” só cria instabilidade. E não exclui acordos pontuais com Governo de Sócrates
Pedro Passos Coelho é o primeiro, dentro do PSD, a dizer que é candidato a líder. O que não diz é se Manuela Ferreira Leite deve ficar até ao fim do mandato, em Maio, ou deve sair antes. Por uma questão de “responsabilidade” tudo o que admitiu ontem foi que seria criar “instabilidade” o partido ficar “demasiado tempo” sem resolver o problema da liderança. Não definiu prazos por que não quer que a sucessão se faça a “mata cavalos” e pediu debate interno que, acusou, tem faltado com esta liderança.
“Seria muito instável que demorássemos muito tempo a arrumar a casa”, afirmou numa entrevista à TVI, a primeira após o ciclo eleitoral em que o partido perdeu as legislativas e ganhou europeias e autárquicas.
O que deixou claro é que será candidato. Seja quem for que se apresente às eleições directas. E não espera encontrar a actual presidente, com quem disputou as directas em 2008 com Santana Lopes. “Não tem condições para se manter como líder do PSD”, argumentou o ex-líder da JSD. Os resultados das legislativas, em que teve 29 por cento, um resultado idêntico ao de 2005, “falam por si”.
E se há uma fase de transição pela frente, em que o PSD tem de definir posições sobre um programa do Governo e um Orçamento de Estado, até ao início do próximo ano, Pedro Passos condiciona as posições do partido. Os portugueses não entenderiam, argumentou, que a direcção apresentasse uma moção de rejeição do programa, semanas depois de o PS ter ganho as legislativas e de José Sócrates ter sido indigitado primeiro-ministro. “Temos que ser responsáveis”, “ninguém entenderia”, disse.
Também um “chumbo” ao orçamento de 2010 (cenário admitido por membros da direcção de Ferreira Leite) não deve ser usado de ânimo leve. O PSD, como “partido responsável”, não pode antecipar o voto sem conhecer o documento. E Passos Coelho só admitiria um “não” se Sócrates insistir em não ter medidas de controlo da despesa pública ou numa política sem investimento público produtivo. E quanto a acordos pontuais com o PS? Passos Coelho não fecha a porta, porque o partido “deve estar preocupado com o país e não o com o governo”.
Passos Coelho apresenta-se como o candidato que quer “regenerar” o PSD, renovar discursos e práticas. Sem forçar nada, defende uma recandidatura de Cavaco Silva a Belém. E disse que o PSD não pode ser visto como “um instrumento” do Presidente da República, cuja imagem, ficou afectada pela polémica da vigilância a Belém.
Na contagem final para o conselho nacional, que a comissão política, ontem reunida, quer que se realize a 22 de Outubro, para discutir o ciclo das três eleições, o ex-ministro Nuno Morais Sarmento afastou a hipótese de se candidatar à liderança. Foi o que disse no programa Falar Claro, da Rádio Renascença, em que admitiu estar mais interessado em discutir ideias para o futuro, do partido e do país. As directas, segundo fontes do PSD consultadas pelo PÚBLICO, poderão ser antecipadas para Março, já depois da votação do Orçamento do Estado
Os resultados das autárquicas de domingo começam a ter efeitos no “aparelho” do PSD. Em Lisboa, o líder da distrital, Carlos Carreiras, está “inclinado” a não se recandidatar, depois de não conseguir os seus objectivos nas eleições autárquicas de domingo.

