Pedro Passos Coelho avisou ontem que, caso seja eleito líder do PSD, não ficará refém dos acordos que a actual direcção do partido firmou com o Governo do PS para viabilizar o Orçamento do Estado (OE). "As instituições têm uma história e a responsabilidade de novos líderes é não atirarem fora esse passado, mas espero que se possa conhecer das novas lideranças novas decisões", afirmou o candidato pouco antes de apresentar no Porto, o seu livro Mudar.
Em clara divergência com o método que a direcção de Ferreira Leite adoptou nas negociações com Sócrates, Passos Coelho sustenta que o PSD deveria ter colocado como condição prévia a qualquer conversação a reavaliação dos grandes investimentos "que podem onerar o país nos próximos 30 anos". "Foi uma oportunidade perdida", acusou, numa crítica directa à actual líder, que fez, aliás, da contestação aos megaprojectos a sua marca de água na presidência do PSD. Ainda assim, foi cauteloso, admitindo que a decisão da abstenção do PSD possa decorrer de "dados de alguma austeridade e de correcção do défice público". "Mas podem não ser suficientes", advertiu, frisando que as desorçamentações persistem. Exemplos? As grandes obras públicas, as parcerias público-privadas e os défices de exploração das empresas públicas.
No Porto, Passos Coelho contou com a presença do fiscalista Diogo Leite de Campos, a quem coube apresentar "o livro de um homem de Estado, humilde, o que é raro". Luís Filipe Menezes, que já vaticinou que Passos Coelho será o futuro líder, apareceu para o cumprimentar. Na plateia, entre militantes e autarcas, muita gente nova. Em tempo de desconto para o conselho nacional, Passos Coelho insistiu que não vê qualquer utilidade num congresso extraordinário, mas disse também que "não vai entrar em brigas". Embora entenda que as eleições directas se devem realizar "tão rápido quanto possível".


