Passos Coelho desafia Jardim ao perdão tal como o presidente da Madeira fez com Sócrates

13.03.2010 - 20:45 Por Margarida Gomes
Foi o mais aplaudido dos quatro candidatos à liderança do PSD, mas também o mais vaiado. Pedro Passos Coelho decidiu reservar para o final do seu primeiro discurso perante o congresso "uma palavra" a Alberto João Jardim. E foi demolidor.
"Já há muito tempo que anos andamos a desentender, há demasiado", começou por dizer, dirigindo-se a Jardim, sentado na tribuna reservada aos membros dos órgãos nacionais do partido. Instalou-se um sururu na sala. Passos continuou o seu discurso. "Não é só o senhor que sabe perdoar ao engenheiro Sócrates, eu também sei perdoar e também espero que saiba perdoar", declarou, numa alusão ao desencontro com Jardim em torno da Lei das Finanças Regionais. Ouviram-se vaias, gritos de PSD e também aplausos.
Passos não desarmou. "Eu sei que algumas pessoas talvez gostassem de ter aqui um espectáculo que creio que ninguém quer dar. Nunca irei por esse caminho", disse e retirou-se do púlpito por entre vivas ao partido.
Antes, o candidato decidiu apresentar-se, falando do seu passado e exibindo o orgulho de ter militância partidária e currículo profissional fora da política. "Nunca ninguém na política me deu emprego. Nunca pedi emprego para ninguém!", declarou, desafiando quem anda a sugerir ligações pouco claras com empresas que o faça cara a cara para se poder defender.
Mas disse mais. "Quando saí do Parlamento não pedi a reforma e não fui logo para o terrível Ângelo Correia", disparou, provocando uma gargalhada geral. Depois tratou de evidenciar as diferenças que o separa dos seus adversários na corrida à liderança do PSD, demarcando-se também da estratégia da actual direcção em relação ao Orçamento de Estado para este ano. "Se este Orçamento não serve ao país qual o sentido de responsabilidade em o deixar passar?". "Se o PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento] não contempla as medidas necessárias por que é que os socialistas hão-de esperar a nossa complacência?". E proclamou que se vier a ser líder não andará com o PS ao colo.
O ex-líder do PSD Luís Filipe Meneses já anunciou que vota em Pedro Passos Coelho.

