Pedro Passos Coelho admitiu hoje a possibilidade de coligações pós-eleitorais se o PSD ganhar as eleições de 2009 "sem condições de estabilidade". No entanto, o candidato à presidência social-democrata rejeitou o PS como parceiro de Governo a menos que haja uma "emergência nacional".
"A lógica será ver primeiro se tenho condições para que o PSD governe sozinho. Se achar que isso não é possível e que é indispensável uma solução mais estável, deve-se procurar eventualmente um acordo de incidência parlamentar ou eventualmente ainda um acordo de coligação de governo", afirmou o candidato à liderança do partido.
Sublinhando a necessidade de estabilidade na governação, Passos Coelho disse confiar que o PSD vai ganhar as legislativas em 2009 e que irá ter a mesma "cooperação institucional" por parte do Presidente da República. "Confio que o PSD ganhe estas eleições e confio que vai ter, do lado do senhor Presidente da República, a mesma cooperação institucional que tem dado ao Partido Socialista e isso já é um valor político muito relevante", afirmou.
Quanto a uma eventual coligação com o PS, Passos Coelho considerou "pouco provável", referindo que, a haver, "só em situação de emergência nacional" e "conjuntamente com os outros partidos". "Eu não posso excluir que em situações de emergência nacional o PSD não tenha de encarar essa solução conjuntamente com outros partidos. Agora, não o considerarei como a solução mais natural", afirmou.
Pactos de regime negados
Pedro Passos Coelho, que respondeu hoje a perguntas de empresários com quem almoçou numa iniciativa de campanha eleitoral interna, num hotel de Lisboa, defendeu ainda que a política de alianças "deve depender rigorosamente dos resultados eleitorais".
Quanto a "pactos de regime", o candidato disse ter "pouca simpatia" por esse tipo de negociação entre os partidos, frisando que "o que deve merecer um consenso alargado entre os partidos políticos já está mencionado na Constituição" da República" – as leis que exigem maiorias qualificadas para serem aprovadas. Na intervenção que dirigiu aos empresários, Pedro Passos Coelho considerou que o "Estado português ainda é um obstáculo" ao desenvolvimento e assegurou uma "clarificação do papel do Estado" se vier a ocupar o cargo de primeiro-ministro.
Pedro Passos Coelho sublinhou que o Estado deve assegurar as "funções nucleares" como a Segurança Interna, a Justiça e a Defesa e deixar que "sejam as pessoas a escolherem o que querem" na Saúde, na Educação e na Segurança Social. O candidato criticou que o Estado possa escolher os parceiros privados com os quais mantém convenções para a prestação de cuidados de saúde, considerando que distorce a livre concorrência, o que classificou como "batota". "Se o Estado não apoiar as instituições mas sim as pessoas, elas escolherão os melhores e os mais baratos", defendeu.


