Passos admite incluir outros partidos no Governo mesmo que PSD tenha maioria absoluta

25.03.2011 - 22:09 Por Luciano Alvarez
Pedro Passos Coelho admitiu esta noite formar um Governo “com outras forças políticas”, mesmo que obtenha uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.
O líder do PSD afirmou numa entrevista à SIC que quer obter “uma maioria muito clara”, assegurando que vai lutar por ela, mas “isso não significa que outras forças políticas, outras personalidades” não integrem o Governo.
Sobre um eventual aumento de impostos, Passos Coelho afirmou que não pode assumir qualquer compromisso com a informação que dispõe neste momento. "Deixe-me dizer aquilo que eu disse, porque não costumo falar por falar. Aquilo que eu disse foi que ninguém no seu perfeito juízo, antes de eleições, se pode comprometer a não mexer na carga fiscal sem ter noção exacta de qual é a verdadeira situação financeira do Estado", acrescentou.
“Prefiro mil vezes arranjar dinheiro sobre o lado do consumo do que ir às pensões”, disse ainda.
Passos garantiu que se vai apresentar a eleições com um Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) definido, deixando claro que nesse PEC as principais medidas serão de corte na despesa pública. O presidente do PSD afirmou mesmo que vai analisar “empresa pública a empresa pública” para ver onde pode cortar. “Não podemos manter empresas públicas que consomem tanto num ano como aquilo que o Governo se propunha a cortar nos reformados e pensionistas”, afirmou.
O social-democrata revelou também que está a elaborar um programa do Governo a oito anos, garantindo que inclui várias reformas, nomeadamente a da justiça. “A reforma da justiça vai sair da gaveta.”
Sobre a possível entrada do Fundo Monetário Internacional (FMI) no país, Passos lembrou que a participação do FMI no fundo de ajuda europeu foi acordada por todos os países da União Europeia, entre os quais Portugal. “Tem-se diabolizado muito a questão do FMI. O FMI pode não ter resolvido os problemas da Grécia e da Irlanda, mas esses países pagam juros mais baixos que nós”, lembrou.
Passos teceu várias e duras críticas ao Governo de José Sócrates e garantiu que se o primeiro-ministro não se tivesse demitido após o chumbo do PEC IV, o PSD teria apresentado uma moção de censura no Parlamento.

