Partido de Garcia Pereira sobe nos votos e passa a receber subvenção do Estado

27.09.2009 - 23:24 Por Lusa, PÚBLICO
Nenhum dos partidos mais pequenos chegou a atingir a fasquia de um por cento nestas eleições legislativas, mas o PCTP/MRPP (Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses) aproximou-se muito desse resultado.
O partido liderado por Garcia Pereira obteve 0,93 por cento dos votos (52.633 eleitores), seguido de longe pelo Movimento Esperança Portugal (MEP), que se ficou pela metade, com 0,45 por cento (25.338 votos).
O PCTP/MRPP ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 50 mil votos que lhe permite receber a subvenção estatal, o que segundo Garcia Pereira é a “afirmação clara do partido como o maior dos extra-parlamentares”.
Para o cabeça-de-lista do PCTP/MRPP pelo círculo de Lisboa, este resultado vai permitir ao partido dispor de meios que até aqui não estavam ao seu alcance, sendo uma “magnífica vitória a nível nacional”.
Garcia Pereira salientou a perda da maioria absoluta do PS que considera obrigar o “Eng. Sócrates a encontrar alianças e entendimentos de que até agora não foi capaz”.
“Em Lisboa não será possível eleger um deputado. Assumo essa responsabilidade política mas também digo que se não for desta vez, outras vezes existirão de certeza”, concluiu Garcia Pereira.
“Profundamente decepcionada” pela não eleição de Manuel Monteiro, por Braga, para a Assembleia da República, mostrou-se por sua vez a presidente do Partido Nova Democracia (PND), Maria Augusta Montes. O PND foi o terceiro mais votado, com 0,38 por cento (21.380 votos).
Maria Augusta Montes acrescentou que “o resultado do Bloco [de Esquerda] é assustador”. “O melhor é emigrarmos todos e juntarmo-nos ao contingente que sai todos os meses para a Suíça, por exemplo, devido às dificuldades vividas”, disse esta dirigente partidária à Lusa.
Sobre a grande aposta para garantir um mandato no Parlamento, o antigo presidente do PND e do CDS-PP, a líder da Nova Democracia revelou não conseguir perceber o que se passou. “Foi o trabalho de um ano do dr. Manuel Monteiro e não resultou. Acho estranho, mas algo correu claramente mal”, lamentou.
Já o presidente do Partido Nacional Renovador (PNR), Pinto Coelho, considerou que o “pânico da Esquerda” levou muitos eleitores cujo “coração é PNR” a votarem útil no CDS-PP, nas eleições legislativas que “deram mais do mesmo”.
No entanto, mostrou-se satisfeito pelo desempenho do partido, que foi o sexto mais votado entre as 11 forças políticas que não conseguiram qualquer mandato. “O PNR manteve o seu eleitorado fidelíssimo e registou mesmo um crescimento sustentado relativamente às últimas legislativas”, concluiu.
Quanto ao Partido dos Trabalhadores Portugueses (PTP), que foi de todos o segundo menos votado, dirigente Amândio Madaleno manifestou-se desiludido com o resultado (0,08 por cento dos votos). E considerou os números “muito abaixo do esperado, em termos globais”.

