Parlamento quer ouvir presidente da ERC por condicionar escolha de jornalista

14.01.2009 - 15:11 Por Lusa
A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura decidiu hoje chamar o presidente do organismo regulador dos media para explicar a recusa de José Azeredo Lopes a ser entrevistado por um jornalista do semanário “Expresso”. Requerida pelo PCP, a audição foi hoje votada por unanimidade pela comissão e visa pedir explicações sobre as exigências do presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ao semanário “Expresso” de não ser entrevistado por um dos jornalistas daquele título.
A entrevista em causa foi publicada a 20 de Dezembro passado e realizada apenas por uma jornalista, em vez de dois como estava previsto inicialmente, já que José Azeredo Lopes recusou ser entrevistado por Henrique Costa. A recusa terá tido origem numa peça daquele jornalista sobre os subsídios de residência e deslocação que o presidente da ERC recebe.
Na altura, o Sindicato de Jornalistas considerou "inaceitável" que o presidente da ERC tenha vetado "a participação de um jornalista numa entrevista ao semanário “Expresso” que o seu próprio assessor propusera", "condicionando a realização da mesma à exclusão daquele jornalista".
Para o sindicato, "não se pode aceitar que seja o próprio presidente a colocar em causa garantias" que é dever da ERC fazer cumprir como o acesso à informação, o direito dos jornalistas a informar-se e a independência editorial dos órgãos de informação face a qualquer poder.
Contactado na altura pela Lusa, o director do “Expresso”, Henrique Monteiro, garantiu que não iria apresentar queixa na ERC, alegando que a entidade não teria "independência e transparência suficientes para julgar o seu próprio presidente".

