Paralisar o TGV é “suspender Portugal”, diz Miranda Calha

13.09.2009 - 18:44 Por Margarida Gomes, Leonete Botelho
O PS não perdeu tempo a cavalgar as declarações de Manuela Ferreira Leite sobre o TGV no debate de ontem com José Sócrates e, em Portalegre, perto da fronteira com Espanha, Miranda Calha considerou que “paralisar o TGV é suspender Portugal”.
“Essa senhora quase admoestou os autarcas [da zona fronteiriça que fizeram um abaixo-assinado em defesa do TGV], dizendo que estavam quase a ser antipatriotas porque se tinham reunido com os espanhóis”, bradou o cabeça de lista por Portalegre e coordenador autárquico do PS, arrancando uma sonora vaia às pessoas que assistiam ao comício na Praça da República.
No frente-a-frente com Sócrates, a líder do PSD criticou aquela acção conjunta dos autarcas dos dois lados da fronteira: “Não gosto dos espanhóis misturados com os portugueses. Não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa. Eu não tenciono resolver os problemas de Portugal em função dos interesses espanhóis", disse. Estas declarações provocaram já uma reacção do ministro espanhol do Fomento que, em declarações à agência espanhola Efe, mostrou preocupação com a possibilidade de vir a ser suspensa a ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Badajoz.
Ali ao lado, em Portalegre, Miranda Calha alertou para a importância do projecto. “O TGV relaciona-se com a plataforma logística de Elvas mas também com o desenvolvimento na área do turismo e paralisar um projecto desta ordem é suspender o distrito mas também Portugal”, defendeu.
Passando ao ataque, Miranda Calha considerou que Manuela Ferreira Leite e o PSD são “o bloqueamento, a paralisação, o retrocesso que nós não queremos no Portugal de Abril”. A comunicação social também foi alvo de críticas. “Alguns dizem que houve um empate” entre Sócrates e Ferreira Leite no debate da véspera. Mas, garante o candidato, “ficou claro para todos nós que quem ganhou foi José Sócrates”. Para não ficar dependente de leituras externas, Calha apelou ao passa-a-palavra: “Temos de ser nós a trabalhar, a comunicar entre nós”.
Para o fim, deixou um apelo aos socialistas: “Todos em força nas freguesias, nos concelhos, a trabalhar pelo PS”. Já antes, o conhecido empresário Rui Nabeiro lembrara como “o PS sempre deu exemplo de como unir e lutar”. E enaltecera o “muito que devemos ao PS pelo que de positivo tem feito por Portugal”. “A semente está na terra, é necessário continuar a florescer”, rematou.

