Alguns nem chegaram a produzir uma mensagem. Provavelmente, alguém os inscreveu e... Bom, o "reino" da internet ainda é um ilustre desconhecido para muitos políticos portugueses e estrangeiros. Acho que é um instrumento de divulgação indispensável, com inúmeras potencialidades, mas pouco e mal utilizado pela maioria dos políticos.
Edite Estrela
Eurodeputada do PS
O debate nos blogues e redes sociais nas últimas campanhas eleitorais foi, para mim uma surpresa, mais pobre do que aquele a que assistimos nas Presidenciais de 2006. Atribuo isso à própria fraqueza das campanhas nacionais, sobretudo a das legislativas, muito marcada por casos.
José Manuel Fernandes
Jornalista
Muito incipiente e dominado pelas actuais pragas da blogosfera: tribalismo, competição a preto e branco, baixo nível da linguagem e insultos, dependência mútua entre a agenda dos media e a agenda dos blogues, e já muita desinformação disseminada pelo poder político em intervenções profissionalizadas, quer por via de agências de comunicação, quer através de falsos blogues criados para o efeito
José Pacheco Pereira
Deputado do PSD
Esta foi, sem dúvida, a campanha em que mais os partidos apostaram na sua mensagem não só através da internet mas na utilização da Web2.0, procurando, de forma activa, a interactividade com a sociedade e com os cidadãos.
Jorge Seguro Sanches
Deputado do PS
Achei muito interessante ver a importância que foi dada Às redes sociais durante as ultimas campanhas. Os partidos todos criaram contas,e muitos candidatos adoptaram estes novos meios de comunicação virtual para fazer chegar informação de forma mais rápida e eficaz aos seus seguidores/eleitores/interessados. Qual foi o reflexo pratico em termos eleitorais destas inovações? não sei dizer. Mas potenciaram o debate de ideias e são uma aproximação de eleitos com eleitores
Luís Menezes
Deputado do PSD
Do lado dos partidos assistiu-se a uma vontade de divulgar imagens e vídeos usando as redes sociais, chegando desta forma a mais públicos. De resto todos puderam contactar e indagar os candidatos e os partidos directamente, o que creio que aconteceu pela primeira vez.
Michael Seufert
Deputado do CDS
As redes, sobretudo o facebook, foram usadas mais como repositório de reportagens de eventos e alguma comunicação unidireccional, sem grande dinâmica, ao contrário do que tinha acontecido nos EUA nas presidenciais de 2008. Já no twitter, o mais relevante foi poder observar ao debate aberto entre curiosos, simples apoiantes, membros do governo e candidatos. Os blogues de apoio foram uma experiência pouco relevante a não ser pelo facto de jornalistas ou ex jornalistas neles participarem ou frequentemente os citarem o que originou um feed-back nos meios tradicionais de imprensa que de outro modo não teria acontecido.
Nogueira Leite
Militante do PSD
O debate e as conversas registaram grande intensidade, sem dúvida também porque mais gente quis tomar partido por algum dos lados; b) aumentou bastante a quantidade de políticos em campanha, em exercício ou não de cargos eleitos, na Internet; c) assistimos pela primeira vez a diálogos directos. Isto é, os políticos foram além do uso da rede apenas para transmitir uma mensagem e aceitaram a participação cívica (nem sempre educada).
Paulo Querido
Jornalista
Houve de tudo, do muito bom ao péssimo. Mas em geral acho que cumpriram um papel positivo. Há ideias e perspectivas que têm pouca circulação nos media tradicionais, talvez por até por serem socialmente minoritárias, mas que na blogosfera estão bem representadas por pessoas inteligentes e que escrevem bem. Foi bom ter acesso a elas. E há uma função de vigilância e “fact-checking” que a blogosfera vai cumprindo (mesmo que de forma incipiente) e que complementa bem os media tradicionais (e a que os próprios media, numa espécie de “crowdsourcing”, recorrem cada vez mais).
Pedro Magalhães
Politólogo


