Oposição associa demissão de Manuel Pinho ao desgaste do Governo

02.07.2009 - 20:01 Por Romana Borja-Santos
A oposição é unânime em considerar que o gesto feito hoje pelo ministro da Economia durante o debate do estado da Nação é suficientemente grave para resultar na sua demissão. Contudo, os diferentes partidos alertam para o facto de a saída de Manuel Pinho resultar de várias atitudes que teve no passado, da sua falta de condições para continuar no cargo e do desgaste geral do Governo.
Em causa está o gesto de Manuel Pinho em que este colocou os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. Recorde-se que o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, a quem se dirigiu o gesto, tinha feito saber que considerava que o ministro se devia demitir.
Em reacção à saída de Manuel Pinho, o líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, considerou que "era a solução natural", depois do gesto que este fez. "O PSD tinha dito que, para além das desculpas, era preciso haver consequências políticas. Fomos nós, justamente, os primeiros a pedir consequências políticas", afirmou Paulo Rangel, citado pela Lusa. "Que, naturalmente, eram estas. Não nos competia a nós indicá-las, mas é óbvio que eram estas", completou.
De acordo com o líder parlamentar do PSD, "não há dúvida de que isto também demonstra um grande desnorte do Governo" e de que "este acto é um acto-reflexo desta forma de crispação, de agastamento do senhor primeiro-ministro, dos ministros".
Diogo Feio, líder parlamentar do CDS-PP, disse em declarações às televisões, que o partido de Paulo Portas "há muito tempo já pedia a demissão" de Pinho. "Este acontecimento foi apenas um epílogo de alguém que não tinha condições" para ocupar a pasta da Economia, completou Diogo Feio.
Por seu lado, Bernardino Soares admitiu que “não lhe restava nenhuma saída”, em especial depois da reacção dos outros membros do Governo e do próprio presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Apesar disso, o comunista salvaguardou que a demissão não pode ser só atribuída ao “gravíssimo episódio”. E acrescentou: “Traduz o desnorte em que o Governo está”.
Do lado do Bloco de Esquerda, o deputado Luís Fazenda considerou que a “descortesia” para com os deputados reflecte a “crispação” em que o Executivo de José Sócrates se encontra. “O Governo está muito crispado e agastado”, disse o parlamentar, que associou ainda a reacção desproporcional do ministro ao resultado das eleições europeias, já que a questão das minas de Aljustrel era uma das promessas do cabeça-de-lista do PS, Vital Moreira, que fracassou.


