CDS-PP, PCP, BE e PEV acusaram hoje o Governo de não ter conseguido prever a crise, com o PS a responder de forma irónica, pedindo "ajuda" à oposição para calcular o futuro do preço do petróleo.
No período dedicado às intervenções no debate do Estado da Nação, e depois do líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, ter acusado o Governo de ter falhado na estratégia económica ao adoptar uma "abordagem dirigista", comandada pelo Estado, o presidente do CDS-PP insistiu nas críticas.
Fazendo uma cronologia da crise desde Março de 2007, Paulo Portas sublinhou que por várias vezes alertou o Governo para os sinais da crise internacional que afectariam Portugal. "Não há ninguém que sinta segurança num Governo que falha estrondosamente os seus deveres de previsão e perspectiva", alertou Portas.
Num balanço muito crítico da maioria dos membros do Governo socialista, o líder do CDS considerou que Sócrates "já não preside a um Governo" mas a "um ajuntamento de pessoas". "O país já percebeu e está farto do socialismo e vai tirar-lhe a maioria que vexa, aliás, já não tem e, de resto, não merece. Há vida para além de José Sócrates", criticou Portas.
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, traçou também um cenário negro do estado da Nação, considerando que "a economia do país afunda-se a cada dia que passa e a vida da larga maioria dos portugueses piora todos os dias". "O Estado da Nação é o estado de um país mais dependente, mais endividado, mais deficitário e mais vulnerável", resumiu.
Na mesma linha, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou que o país está pior em áreas como o crescimento, o endividamento e o desemprego. "Perderam os trabalhadores da função pública, perderam os professores, perderam os jovens, perderam os precários", enumerou Louçã, que apontou também alguns 'ganhadores' com a política do Governo, como a Galp, a EDP ou as Águas de Portugal.
Os Verdes, pela deputada Heloísa Apolónia, acusou o primeiro-ministro de se querer desresponsabilizar da crise e deixou um conselho ao Governo. "Experimentem governar à esquerda, em vez de governar à direita, e os resultados serão necessariamente outros", apelou.
Na última intervenção do debate, antes do período de encerramento, o deputado socialista Vera Jardim respondeu à oposição com ironia. "As previsões de todos os Governos e instâncias internacionais falharam. Gostava que a oposição nos mostrasse, numa folha de papel A4, a dimensão da crise internacional e a sua duração", afirmou. "Noutra folha A4, o Governo ficaria agradecido, qual vai ser o preço do barril de petróleo para o Governo elaborar o Orçamento de Estado", ironizou, lamentando que a oposição tenha tido um discurso de que "o Governo é a mãe de todos os males".
Respondendo aos pedidos do PSD para que lhe sejam entregues os estudos sobre as obras públicas previstas pelo executivo, Vera Jardim deixou um apelo a José Sócrates. "Senhor primeiro-ministro, faço-lhe um apelo: abra os livros, que já estão abertos, mas abra-os para ajudar a oposição a estudar devidamente a lição para que não venham juntar ao dirigismo a claustrofobia democrática", disse, numa referência ao discurso de Paulo Rangel na sessão solene do 25 de Abril do ano passado.
PSD fala em política dirigista e apoiada em Espanha
O PSD acusou hoje o Governo de ter falhado na estratégia económica ao adoptar uma "abordagem dirigista", comandada pelo Estado, e definir por uma política de "mono-dependência" em relação a Espanha. O líder parlamentar do PSD defendeu que "são estas opções intrinsecamente erradas de política económica que nos conduzem à gravíssima situação social a que chegamos e à potenciação dos factores agravantes da crise internacional".


