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Ongoing seria o instrumento para a estratégia da PT

12.02.2010 - 11:47 Por José Augusto Moreira

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Nuno Vasconcelos, presidente da Ongoing Nuno Vasconcelos, presidente da Ongoing (Nuno Ferreira Santos)
Apesar da providência cautelar que impedia o semanário "Sol" de publicar textos relacionados com o conteúdo das escutas envolvendo o administrador executivo da Portugal Telecom (PT) Rui Pedro Soares, o jornal está hoje nas bancas com toda a matéria.

A notícia principal, com o título “PT usada para lançar novo grupo de media”, refere que, “segundo o Ministério Público de Aveiro, a compra da TVI pela PT era apenas o pontapé de saída para possibilitar a emergência de um grupo de comunicação social favorável ao Executivo”.

Ao longo do texto é explicado que a consolidação dessa estratégia se concretizaria associando um outro grupo de comunicação social. Numa primeira fase o alvo foi a Cofina, detentora do Correio da Manhã, ou a Impresa, de Pinto Balsemão (SIC, Expresso e Visão), tendo no final surgido a hipótese do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, que detém o DN, JN e TSF. “Como ponta-de-lança apoiado pela PT”, a estratégia contaria “com a Ongoing, liderada por Nuno Vasconcelos e Rafael Mora (presidente e vice-presidente, respectivamente) accionistas da PT e da Impresa e donos do Diário Económico”.

A teoria do Ministério Público de Aveiro é de que, com a concretização daqueles negócios, “poderiam resultar prejuízos económicos para a PT que previsivelmente seriam ‘pagos’ com favores do Estado ou no mínimo colocariam os decisores políticos na dependência dos decisores económicos”, adianta o jornal citando um despacho do processo Face Oculta, lavrado a 23 de Junho do ano passado, que fundamentou a extracção das primeiras certidões remetidas ao Procurador-Geral da República. É por isso que o magistrado do MP de Aveiro conclui pela possibilidade de uma “corrupção dos fundamentos do Estado de Direito democrático”.

O jornal transcreve ainda outra parte do despacho referindo que o plano passava pelo “controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal PÚBLICO com o mesmo objectivo, e, por último, mas apenas em consequência das necessidades de negócio, a aquisição do grupo Cofina, proprietário do Correio da Manhã”.

O recurso ao conteúdo de conversas entre Armando Vara e Fernando Soares Carneiro (administrador executivo da PT em representação da golden share do Estado, tal como Rui Pedro Soares), é usado explicar o plano negocial, aludindo ainda o Sol a um eventual almoço que além de ambos terá reunido também os seus respectivos superiores hierárquicos, o presidente do BCP, Carlos Santos Ferreira, e o presidente executivo da PT, Zeinal Bava. Nas conversas entre Vara e Carneiro, este refere que o “conhecimento do amigo de Vara” e diz também que “por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o Correio da Manhã ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa [PT] como objectivo”.

Moniz fez “jogo triplo”
É também através das escutas que é detalhada a sucessão de acontecimentos ocorridos a 24 e 25 de Junho do ano passado – dia seguinte àquele despacho do MP de Aveiro -, que levaram a que se tivesse gorado o negócio entre a PT e a TVI. Os telefonemas envolvem Rui Pedro Soares, Paulo Penedos, que é seu assessor, e o pai deste, José Penedos, presidente da REN.

Foi a 24 de Junho que o procurador de Aveiro, o procurador-geral distrital de Coimbra e o procurador-geral da república se reuniram para decidir o seguimento a dar às escutas envolvendo do primeiro-ministro, e foi também nesse dia que José Sócrates foi confrontado no Parlamento com o negócio da TVI. No dia seguinte Rui Pedro Soares estava em Madrid com o contrato na mão para assinar a compra da TVI (que é detida pelo grupo Prisa), o que não se chegou a concretizar, e “Zeinal Bava é empurrado para dar a cara pela PT” em entrevista na RTP.

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Rui

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