OE2011: Mário Soares diz que Passos “tem razão” ao defender mais cortes na despesa

17.09.2010 - 19:10 Por Lusa
O antigo Presidente da República, Mário Soares, manifestou hoje confiança relativamente a um entendimento entre PS e PSD para aprovar o Orçamento do Estado para 2011 e considerou que Passos Coelho “tem razão” quando defende mais cortes na despesa.
Em declarações à agência Lusa, à entrada para um debate no Instituto Franco Português, no âmbito do Centenário da República, Soares defendeu a existência de “cedências de ambos” os partidos e disse estar contra o que considerou ser uma “polémica entre os dois líderes”.
Para o fundador e antigo líder do PS, a não aprovação do Orçamento para o próximo ano “seria verdadeiramente uma coisa desastrada”. “Como não pode haver eleições neste período, mesmo que as pessoas não estejam muito satisfeitas ou não se possam entender completamente, devem entender-se no mínimo para evitar que isso aconteça”, advertiu.
O socialista disse acreditar “no bom senso dos partidos e dos dirigentes dos partidos” e que “seria uma questão muito desagradável para Portugal, muito má e muito mal vista por todos os portugueses, com certeza, se não se entendessem”. “Se tivéssemos de começar a governar por duodécimos seria péssimo e uma paralisia total para a nossa economia e para o país”, acrescentou.
Sobre a exigência do PSD e não haver novo aumento de impostos, Mário Soares notou que “o dinheiro tem de vir de algum sítio”, embora tenha dito que “é preciso haver cortes nas despesas” ao nível da administração central, regional e local, das regiões autónomas e dos vários órgãos de soberania.
“É preciso haver cortes e aí acho que o doutor Passos Coelho tem razão”, afirmou.
O fundador do PS rejeitou ainda que Portugal esteja “descredibilizado externamente”.
Na opinião de Soares, Portugal “precisa é de cumprir aquilo a que se comprometeu no primeiro e no segundo Programa de Estabilidade e Crescimento”. “Há uma certa dificuldade em conseguir crédito, é natural e é por isso que temos mesmo de reduzir os nossos défices e o nosso endividamento externo”, concluiu.

