“O único medo que sinto é o do regresso ao passado”, diz Sócrates 
19.09.2009 - 15:22 Por Margarida Gomes, Leonete Botelho
Subitamente ao fim de uma semana parece ter-se regressado à pré-campanha. Do PSD voltaram as referências à asfixia democrática e do PS veio a resposta sobre o medo do regresso ao passado. E voltaram as críticas pessoais entre os líderes dos dois maiores partidos.
"Manuela Ferreira Leite voltou a referir-se ao medo, mas o único medo que eu sinto nas ruas é o medo de muitos portugueses que isto regresse ao passado”, contra-atacou esta tarde José Sócrates, num almoço muito participado em Buarcos (Figueira da Foz).
Dirigindo-se directamente à lider do PSD como já não fazia há vários dias, o secretário-geral do PS avisou-a do “equívoco” que ela estaria a cometer: “Este é o partido da liberdade. Aqui não e exclui ninguém das listas de deputados. Este é o partido que ajudou a construir a democracia”. E por falar em democracia: “Aqui não temos como ideal de governo o Governo Regional da Madeira”, atirou.
Mas foi mais longe, fazendo uma insinuação sobre as referências de Ferreira Leite aos cabo-verdianos e ucranianos há alguns meses: “Aqui não pomos em causa a dignidade da comunidade imigrante que está no nosso país”, afirmando que estes já tiveram de suportar “a extrema-direita dos países onde viviam”. “Isto ofende a história do nosso país”.
Antes, o ainda secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Campos, tinha respondido a Paulo Rangel, que de manhã em Coimbra retomara o tema da claustrofobia democrática. “Não aceitamos lições sobre os valores da defesa da liberdade e da democracia” disse. “Esta não pode ser uma campanha de fait divers, de declarações que não valorizam a democracia”, juntou.
Horas antes as duas caravanas tinham percorrido os mesmos caminhos em Coimbra, em arruadas seguidas nas ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges. Por várias vezes Sócrates teve de pisar os confetis cor-de-laranja deixados pelos adversários, mas teve direito a uma chuva de pétalas de rosa lançadas de janelas.
Ao lado de António Arnaut, o pai do Serviço Nacional de Saúde, da cabeça de lista Ana Jorge e da candidata a deputada Inês de Medeiros, o líder do PS desdobrou-se em chegar a todos os que o esperavam, muitas vezes contra a vontade dos seus seguranças. Tal como noutras cidades, a JS distribuia rosas à população. Talvez na tentativa de repetir o milagre da Rainha Santa Isabel, mas desta vez para transformar as rosas em votos.

