A manchete de hoje do semanário “Expresso”, que dava conta de que Francisco Louçã e mais deputados do Bloco e Esquerda (BE) investiram em Planos Poupança Reforma (PPR), apesar de defenderem o fim dos benefícios ficais para estes fundos de investimento, foi “um favor” prestado ao Bloco, classificou o líder.
Confrontado hoje de manhã com a investigação do “Expresso”, à porta do mercado municipal de Alcobaça, onde acabara de fazer uma acção de campanha, Louçã fez uma outra interpretação da notícia, apontando que o semanário fez “um favor” ao BE por ter confirmado que os dirigentes bloquistas deixam de lado os seus interesses pessoais em benefício do interesse público.
“Nenhum deles defende o seu interesse privado. Isto é que é grandeza. Todos os nossos deputados e deputadas têm poupanças pequeníssimas, de três mil euros, de cinco mil euros e pouco mais. Votaram todos com consciência contra o seu interesse privado a favor do interesse público”, afirmou, rejeitando ainda qualquer contradição com o discurso e as propostas do programa eleitoral do BE. “Eu sou pelos transportes públicos, mas tenho um automóvel privado”, exemplificou.
Louçã confirmou ainda que optou pelos certificados de reforma públicos quando estes “apareceram”. Mas garantiu que “nunca” alterou a sua sobre os PPR e negou que a proposta bloquista tenha surgido devido à sua experiência pessoal. “Nunca mudei de opinião. Agora quando começou a haver um sistema de certificados de reforma públicos optei por esse sistema. Repito tudo o que disse, mantenho tudo o que disse. E o que disse foi que os bancos estão a levar o dinheiro das pessoas.”
Manifestando-se satisfeito pela notícia ter dado a conhecer o montante da sua poupança (30 mil euros), o bloquista insistiu que não defende o seu “interesse pessoal” – “se o fizesse fazia diferente”, ressalvou – e que assume “a responsabilidade de defender todos”, ao alertar os detentores de PPR para a actuação dos bancos.
Quanto às acções de Ana Drago e Joana Amaral Dias ( Expresso noticiou também que a dirigente e a ex-deputada possuem acções da PT e da EDP, respectivamente), Louçã fez notar que “as acções de Ana Drago valem mil euros”. “Quero agradecer ao Expresso ter divulgado ao país inteiro que a Ana Drago teve e já não tem mil euros de acções”, disse. Acrescentou ainda que o caso de Amaral Dias “é falso”: “Ele tinha uma conta conjunta com a mãe e foi a mãe que comprou algumas acções da EDP.”
“Não há telhados de vidro” no Bloco de Esquerda, assegurou Louçã.


