BE fecha campanha no Porto

O Bloco de Esquerda já viu este filme

24.09.2009 - 21:58 Por Maria José Oliveira

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Louçã reafirma que prioridade do BE é derrotar a maioria absoluta do PS. Louçã reafirma que prioridade do BE é derrotar a maioria absoluta do PS. (Daniel Rocha (arquivo))
O BE parece estar a reviver uma má história. Nas eleições de 2005, o PSD, enfraquecido pelos meses de governação de Santana Lopes, mal conseguiu enfrentar o PS, liderado pelo então recém-eleito José Sócrates. Perante a possibilidade de os socialistas alcançarem a sua primeira maioria absoluta, o BE concentrou todos os seus esforços no combate contra o PS. Hostilizar os socialistas era então, como agora, a palavra de ordem.

As palavras dos dirigentes do Bloco tentavam ferir um partido reanimado por Sócrates. E, ao mesmo tempo, serviam de resposta para os “acordos secretos” entre o BE e o PS, ventilados pelos sociais-democratas.

Estas eleições afiguram-se assim uma reconstituição das últimas legislativas. Embora desta vez o BE queira alcançar o terceiro lugar no pódio eleitoral e acredite vir a obter uma subida nas votações. Mas nada indica que chegue aos dois dígitos. Os bloquistas sabem, embora não o assumam, que o voto no BE é muito volátil. Por isso, Francisco Louçã quer concentrar-se na derrota da maioria absoluta do PS, disse ontem aos jornalistas no final de um encontro com estudantes, na Universidade de Aveiro.

Confrontado com os resultados das últimas sondagens, que evidenciam uma subida do PS, Louçã optou por dar a entender que desvaloriza estas indicações. “Demonstram que o PS não alcança a maioria absoluta. Para nós isso é uma extraordinária vitória”, afirmou.

Num derradeiro apelo ao fim da maioria socialista, o líder bloquista não apenas reivindicou para o BE o papel determinante na destruição das intenções do PS (“não há maioria absoluta graças ao BE e graças à concentração de votos no BE”, disse), como também insistiu na mensagem que estreou anteontem à noite num comício no Barreiro: os eleitores têm de escolher “entre a responsabilidade e irresponsabilidade, entre a esquerda e a maioria absoluta.”

Ontem à tarde, Louçã deixou transparecer algum nervosismo, ainda que involuntariamente, quando questionado sobre as alterações nas intenções de voto reveladas pelas sondagens. “Sabemos que os eleitores vão fazer as suas opções. E a opção política decisiva é a mesma do primeiro dia – saber se a economia continua a ser marcada pela injustiça e pela violência social e se o BE tem força suficiente, como vai ter, para vencer esta maioria absoluta”, disse, sintetizando assim o conteúdo dos discursos programados para as últimas horas da campanha.

Resta agora saber se também nestas eleições a história vai repetir-se. Há pelo menos uma reincidência: os bloquistas escolheram fechar a campanha novamente no Porto.

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