Nuno da Câmara Pereira sai por “discordância total” na direcção do PPM

07.04.2010 - 09:34 Por Lusa, PÚBLICO
O líder demissionário do PPM, Nuno da Câmara Pereira, atribuiu a decisão de se afastar da presidência a uma “discordância total em relação à atitude, à postura e à gestão” no seio da direcção do partido.
“Há uma discordância total em relação à atitude, à postura e à gestão”, disse, admitindo existiram “pontos de vista diferentes” na equipa dirigente - “como ambos os vice presidentes não corroboram na minha atitude achei bem, em nome da probidade, sair”, admitiu. E acrescentou: “Demito-me por me considerar incompetente para gerir um partido naquelas condições (...) por razões funcionais, políticas, administrativas, de recursos humanos, e financeiros (...) considero que debaixo da minha tutela assim não funciona. Eles agora que esclareçam o assunto se o quiserem esclarecer”, comentou.
Escusando-se a “lavar roupa suja do partido em praça pública”, Nuno da Câmara Pereira esclareceu que ainda se considera presidente do partido e que o pedido de desfiliação que apresentou “está condicionado à atitude do Conselho Nacional” - “Ponho à consideração do Conselho Nacional a minha desfiliação. Não me considero desfiliado nem o digo na minha carta”, acrescentou. Nuno da Câmara Pereira remeteu também para o Conselho Nacional, convocado para 10 de Abril, a decisão de o “ouvir ou não” sobre as razões que levaram à sua demissão.
Paulo Estêvão, que assumiu interinamente a liderança da formação política, sustentou que Nuno da Câmara Pereira “está demissionário e desfiliou-se” e que se “pretender retirar essa desfiliação e essa demissão só tem que o comunicar”. E questionou: “Uma pessoa que pede a demissão e a desfiliação, para que é que vai participar na instituição a que não quer pertencer?”. Sobre o futuro, o líder cessante do PPM antecipou que a nova liderança “conduzirá o partido de forma completamente diferente” da sua. Lembrando a sua “carreira monárquica desde miúdo”, Nuno da Câmara Pereira enfatizou que, não estando “agregado ao PPM”, prosseguirá “outros projectos políticos”, como uma candidatura à Câmara Municipal de Sintra.
Referendo à República
A nova liderança do Partido Popular Monárquico (PPM) vai promover a realização de um referendo à República, uma “promessa com 100 anos” que querem concretizar. Para Paulo Estêvão, a iniciativa lançada no início deste ano por Nuno da Câmara Pereira, seu antecessor na liderança do PPM, é “muito válida” e “tem o acordo total” da nova liderança. “Vamos continuar com essa iniciativa (...) O que exigimos é o que foi prometido há 100 anos, não temos medo da democracia”, disse.
No início de Janeiro, o demissionário líder do PPM anunciou o lançamento de uma recolha de assinaturas para levar a Assembleia da República (AR) a discutir a possibilidade de os portugueses serem ouvidos em consulta popular sobre a reimplantação da monarquia. Em apoio da iniciativa, o sucessor interino de Nuno da Câmara Pereira rejeitou ainda “a desculpa de que não é necessário [referendar] porque já se sabe que a maioria” é a favor da República.

