O presidente demissionário do Governo Regional da Madeira chama "tigre de papel" ao primeiro-ministro e diz que "num país normal [José] Sócrates estaria no olho da rua", noticia o hoje o semanário "Expresso".
Em entrevista ao jornal, Alberto João Jardim, no poder há 30 anos, justifica a demissão apresentada esta semana para conseguir cumprir o que prometeu aos madeirenses.
"Dá-me quatro anos para concretizar aquilo que eu tenho que fazer. Com um ano e meio que faltava era um pedacito mais complicado. Diria mesmo, muito complicado", afirma o dirigente social-democrata.
"Acho chato isto de um gajo fazer promessas e depois não as cumprir", justifica, ameaçando levar para fora das fronteiras as "patifarias do Estado Central" e "denunciando-as" junto da comunidade internacional na altura em Portugal presidir à União Europeia, na segunda metade deste ano.
Recusando "atitudes separatistas", Jardim diz que o governo regional que sair das próximas eleições terá legitimidade para se "dirigir aos governos europeus e às instâncias internacionais para se queixar de uma situação que está a acontecer em Portugal".
Diz que compete aos portugueses, "no seu próprio interesse", derrubar o governo socialista de Lisboa nas eleições de 2009, sustentando que "não podem continuar a cantar o fado, a gostar da fatalidade".
"Em qualquer país normal em que o primeiro-ministro tivesse mentido aos portugueses como mentiu aqui, estava no olho da rua. Veja como em situação semelhante, ocorrida na Hungria, o sarilho que tem sido só pelo primeiro-ministro ter admitido que também mentiu aos húngaros", compara.
E volta a atacar o primeiro-ministro afirmando que "o senhor Pinto de Sousa conhecido por engenheiro Sócrates tem aquela acutilância e aquela força toda quando vai ao Parlamento, porque ainda ninguém lhe fez frente".
"A partir do dia em que alguns deputados comecem a atirar-se a ele, toda a gente vai perceber que não passa de um tigre de papel", assegura o líder regional do PSD.
Noutra entrevista, publicada no semanário "Sol", a que respondeu por escrito, Alberto João, diz que as próximas eleições regionais antecipadas, que gostaria fossem em Maio e Junho, serão a sua "última batalha" política.
Aposta na vitória do PSD nas legislativas de 2009 e quer ver o actual líder social-democrata, Marques Mendes, como primeiro-ministro.
Já quanto ao processo da sua demissão, diz que não responsabiliza o Presidente da República, Cavaco Silva, por ter promulgado a lei das Finanças Regionais, cujos cortes orçamentais invocou para se demitir.


