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Sócrates mantém a estrutura e o núcleo duro do Executivo anterior

Novo Governo: Uma equipa metade política e metade técnica

23.10.2009 - 11:18 Por Leonete Botelho

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O novo executivo de Sócrates surpreendeu por não ter mais socialistas O novo executivo de Sócrates surpreendeu por não ter mais socialistas (Pedro Cunha)
Enganaram-se os comentadores que apostavam que o novo Governo teria um cariz exclusivamente político, fechado dentro do Partido Socialista e com muitos secretários de Estado a ascender a ministros. José Sócrates surpreendeu ontem ao apresentar um Governo que mantém a sua estrutura - os ministérios são exactamente os mesmos - e o seu núcleo duro político em metade das pastas, mas abre a outra metade a personalidades que se destacam pelos créditos técnicos.

Um executivo que é bem aceite por esse equilíbrio entre experiência e qualidade técnica, mas que surpreendeu também por não se ter aberto mais ao PS: as pastas onde os socialistas esperavam ver caras do partido acabaram por ser, na maioria, ocupadas por independentes praticamente desconhecidos fora das suas áreas.

"É um governo de continuidade, sem grande rasgo, com muita rotação de posições no núcleo duro e que nalguns casos parece jogar à defesa", avalia o politólogo André Freire. "Há algumas diferenças positivas no novo Governo, mas prognósticos só no fim do jogo", afirma Manuel Alegre. "É uma boa remodelação como Sócrates não fez mas devia ter feito nos últimos quatro anos", comenta Fonseca Ferreira, autor da única moção alternativa do último congresso do PS.

Alegre destaca sobretudo os pontos positivos: o facto de ter cinco mulheres - "é o executivo mais feminino de sempre" -, a escolha de Alberto Martins para a Justiça, a manutenção de Ana Jorge na Saúde, a mudança na Educação e a escolha para o Trabalho de Helena André, "uma sindicalista com experiência internacional".

"É um governo mais político porque mantém quadros experientes, da Justiça aos Assuntos Parlamentares, e há caras novas que podem significar mudanças substanciais" na Educação e no Trabalho, sectores que Alegre tanto criticou na anterior legislatura. Agora, espera que haja "condições para o diálogo, capacidade de negociação e de encontrar soluções".

Já André Freire aponta sobretudo perplexidades com algumas escolhas e não se deixa iludir com caras novas. Sobre a escolha de uma sindicalista para o Trabalho lembrou que "Vieira da Silva também tinha um perfil mais à esquerda, mas fez acordos apenas com a UGT e foi muito criticado pelas alterações no Código do Trabalho e nas reformas da Segurança Social". As dúvidas são extensíveis à Educação: "Fui ouvindo Isabel Alçada defender as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues, por isso não sei se a substituição não representa continuidade apenas com uma mudança de estilo."

O professor do ISCTE também não compreende que Rui Pereira fique na Administração Interna, porque não lhe reconhece trabalho, nem que nos Negócios Estrangeiros se mantenha Luís Amado, de cuja acção é muito crítico, do Kosovo ao Iraque. Critica também Mariano Gago por ter protagonizado "o maior desinvestimento de sempre no ensino superior".

Surpresas e equilíbrios

Mas a surpresa da noite foi a escolha de Augusto Santos Silva na Defesa. Alguns socialistas ouvidos pelo PÚBLICO não escondem a estupefacção, sobretudo por se tratar de uma pasta "sem combate político", o que até motivou uma piada: Santos Silva passou quatro anos ao ataque, agora joga à Defesa. Certo é que se trata de um ministério de relevo na hierarquia, mas sem grande exposição pública.

Nos Assuntos Parlamentares, a escolha de Jorge Lacão é bem acolhida pela experiência que o ex-secretário de Estado da Presidência tem no Parlamento, onde já fez uma revisão constitucional e presidiu às importantes comissões de Ética e Direitos, Liberdades e Garantias, assim como ao grupo parlamentar. Mesmo assim, havia quem esperasse ver no cargo alguém com maior capacidade de diálogo, embora lhe seja reconhecida capacidade técnica e argumentativa.

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