A candidata do CDS-PP à presidência da Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, contestou hoje a ideia de introduzir uma taxa à entrada de automóveis na cidade, considerando que a medida é "fácil, mas muito injusta".
A introdução de uma taxa à entrada de automóveis em Lisboa é prevista no programa eleitoral do candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, e admitida pelo candidato do PS, Manuel Maria Carrilho, apenas como "medida limite".
O programa eleitoral do candidato do PSD e actual presidente da câmara, Carmona Rodrigues, é omisso em relação a uma eventual portagem para os carros que entrem em Lisboa – medida que é aplicada em cidades europeias como Londres.
"Uma percentagem das pessoas utiliza o carro para entrar em Lisboa por necessidade e outra percentagem utiliza-o por egoísmo. A taxa é uma medida cega, uma medida fácil, mas muito injusta", declarou Maria José Nogueira Pinto à Lusa, depois de uma visita ao Centro de Recursos Multicultural, no bairro Padre Cruz.
A candidata do CDS-PP à Câmara de Lisboa argumentou que "existem ainda condições que não estão preenchidas" para que as pessoas possam não se deslocar de carro à capital, como a construção de parques dissuasores e "uma sequência correcta de transportes públicos", sem as quais não deve ser ponderada a introdução de uma taxa.
"Todos os dias há 400 mil carros que entram em Lisboa. É preciso criar essas condições e fazer pedagogia", contrapôs, salientando que actualmente, "o automóvel pode ser o meio mais económico e eficaz para uma família de classe média-baixa se deslocar".
Maria José Nogueira Pinto dedicou a manhã a visitar departamentos da Câmara Municipal de Lisboa ligados aos transportes e à acção social, entre os quais o Centro de Recursos Multicultural, um espaço dirigido às comunidades imigrantes e minorias étnicas, para conhecer a estrutura que se propõe dirigir.
Questionada sobre a estratégia do seu partido quanto às eleições para a Presidência da República, a presidente da mesa do Conselho Nacional do CDS-PP alegou não ser o momento adequado para se pronunciar sobre o assunto e aproveitou para acusar o PS de utilizar as presidenciais para desvalorizar as autárquicas.
"A candidatura do dr. Mário Soares é uma cortina de fumo que o PS lançou sobre estas autárquicas. Por cima de estas eleições procurar colocar outras é uma falta de respeito pela democracia", acusou.


