O homem esforçou-se por se fazer ouvir entre o rufar dos tambores que capitanearam a arruada de Fernando Nobre, esta tarde, em Setúbal. “Por sua causa, voltei a acreditar no sistema outra vez. O que o país precisa é de um governante com valores como o senhor, não de políticos mentirosos”.
A abordagem passou quase despercebida entre as dezenas de pessoas que rodeavam o fundador da AMI, na penúltima iniciativa do penúltimo dia de campanha – esta noite, Nobre ainda vai a Bairro Alto contactar com jovens. Mas destacou-se por evidenciar que a mensagem do candidato aparentemente passou: a de um candidato que representa a mudança, com valores que o colocam acima da politiquice maldizente. Razão mais do que suficiente para o optimismo de Nobre, no balanço da campanha. “Acho que conseguimos uma mobilização que vai demonstrar que temos uma sociedade civil muito mais atenta e desperta do que muitos imaginam”, dissera Nobre, de manhã.
À tarde, o candidato independente voltou a sublinhar a indignação por causa das declarações de Cavaco Silva quanto ao custo que uma eventual segunda volta terá para o país. “Pergunto-me se a democracia tem preço”, reagiu, relançando as farpas ao adversário apoiado pelo PS e pelo BE. “Nessa segunda volta, só eu posso derrotar Cavaco Silva porque a minha candidatura agrupa pessoas de todos os quadrantes da sociedade portuguesa. Todos sabemos que eu não tenho sectarismos nem radicalismos”.
Quantos às sondagens que o dão como terceiro candidato mais votado, sustenta que “a única sondagem que conta será a do dia 23”. Porquê? “Será quando o povo anónimo, o povo silencioso, aqueles que já não acreditam em nada e que me foram segredando à orelha o nome dos seus partidos, irá lutar com o seu voto”, respondeu Nobre, para, ainda à laia de balanço, garantir que não sentiu a falta do apoio de Mário Soares e lamentar que a campanha não tenha sido marcada “por mais propostas e por mais ideias”.


