Nobre avança para Belém à margem partidos e pelos que não tiveram voz

19.02.2010 - 20:18 Por Luciano Alvarez
A primeira frase revela a motivação: “Sou candidato a presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e cidadania". Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre, 58 anos, casado, quatro filhos, presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), apresentou hoje no auditório do Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a sua candidatura a Presidente da República. Uma candidatura que diz acima dos partidos e que pretende ser dos “que não tiveram voz até agora”.
Perante cerca de 300 pessoas, Fernando Nobre centrou o seu discurso no distanciamento dos partidos. Não que tenha algo contra eles, como frisou, mas porque “Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo”. “Sou contra o sufoco partidário da vida pública”, acentuou.
Sem figuras conhecidas da política na sala acanhada para tanta gente, destacavam-se entre os presentes os artistas Vitorino, Luís Represas, Rui Veloso; a presidente executiva da Fundação Gil, Margarida Pinto Correia, que é da direcção da candidatura; o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira; o juiz Rui Rangel e a ex-provedora da Casa Pia, Catalina Pestana.
Fernando Nobre classificou-se como “apartidário mas não apolítico”. Tenho os meus valores e os meus princípios e não acredito num saco de gatos onde todos cabem”, acrescentou. O seu espaço político, “mais do que definido à esquerda, à direita ou ao centro” é “o da liberdade, da justiça, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência na vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistribuitiva do Estado. Foram estes valores que Nobre se propôs defender à luz do mandato presidencial e que foi detalhando ao longo do seu discurso.
O candidato diz conhecer os poderes presidenciais, garante que não tem programa político para a governação – “tal compete ao Governo eleito” -, mas apenas “um programa que constitui um compromisso moral e intransigente”, com o qual se compromete e pelo qual responderá “sempre perante os Portugueses e Portugal”.
“Não usurparei nenhum poder que não me caiba pela Constituição, mas não prescindirei de exercer nenhum dos que me competem. Não serei factor de perturbação das instituições, mas sim o garante da sua estabilidade e regular funcionamento, tal como manda a Constituição”, assegurou.
Nobre disse ter consciência que “esta será uma batalha difícil, talvez até invencível, mas não será nunca inútil”: “A luta contra a indiferença sempre foi e será a minha marca individual. A minha candidatura é, assim, uma questão de coerência comigo próprio.”
“É a hora de acreditar em Portugal (…) Convido-vos a todos para esse combate em nome dos nossos filhos e netos. Em nome da esperança em nome do ‘Acreditar em Portugal’”, terminou.
Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia. Fernando Nobre é casado e tem quatro filhos.
Águas Agitadas
A candidatura de Fernando Nobre veio agitar algumas águas, nomeadamente entre algumas pessoas que no passado estiveram com Manuel Alegre no Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), que esteve por trás da sua candidatura presidencial de 2006.
Alexandre Azevedo Pinto, um dos dinamizadores do MIC na altura, foi um dos veio agora descolar-se de Alegre. “A perspectiva de algo novo, de uma dinâmica de cidadania que existia com Alegre foi-se reduzindo e acabou por desaparecer, afirmou ao PÚBLICO.
Pinto, que esteve no lançamento da candidatura de Nobre, disse que a candidatura de Alegre “está refém do PS e do BE e dos respectivos aparelhos partidários”. “A candidatura de Alegre, tal como a de Cavaco são do passado”, acrescentou.

