Francisco Assis, o candidato a líder parlamentar do PS escolhido por José Sócrates, avisa que a nova situação de minoria relativa exige que "nenhum partido se feche na arrogância e no dogmatismo", nem mesmo o da maioria. "Isso exige-se ao partido da maioria, mas também a todos os outros partidos", sublinhou Assis aos jornalistas no final da reunião de bancada com o secretário-geral do PS.
Assis recordou a sua "vasta experiência" na liderança do grupo nos governos de maioria relativa de António Guterres para apontar para o futuro: "É um tempo em que tem de haver determinação, vontade e uma linha política clara do Governo, mas também tem de haver capacidade de negociação e de abertura".
Questionado sobre a unidade do grupo, respondeu com um "vamos ver". Sem Manuel Alegre na bancada nem as deputadas que tantas vezes na legislatura anterior votaram à revelia das orientações partidárias, tudo pode ser mais fácil, mas Assis não arrisca. Apenas garante que "o grupo parlamentar vai dar um contributo decisivo para a sustentação do Governo".
Isto sem pôr em causa a "autonomia" e a "liberdade de pensamento" dos deputados e do grupo parlamentar. "Não tenho como modelo ideal um grupo parlamentar abúlico e sem pensamento próprio", afirmou. Mas isso não impede que se mantenha a regra da disciplina de voto, até porque "não pode haver hesitações nos momentos decisivos", afirmou ao PÚBLICO.


