Paulo Portas anunciou hoje que vai chamar o ministro da Agricultura ao Parlamento para analisar a forma como o Governo deu resposta ao alastramento do nemátodo do pinheiro, doença que atinge já vários pontos do país, acusando Jaime Silva de ser ele próprio “uma calamidade”.
“O ministro da Agricultura é uma calamidade. Este caso prova que o Estado foi incompetente e irresponsável”, declarou o líder do CDS-PP, numa conferência de imprensa no Parlamento.
Paulo Portas anunciou que vai requerer as audições do titular da pasta da Agricultura e do ex-director-geral dos Recursos Florestais, Francisco Castro Rego, para analisar a forma como o Governo agiu face ao problema do nemátodo, um organismo que ataca o pinheiro conduzindo à morte da árvore.
Paulo Portas reagia à decisão do Governo português e de Bruxelas de declarar todo o pinhal português afectado pelo nemátodo do pinheiro, tal como noticiou hoje o PÚBLICO.
O organismo foi detectado pela primeira vez em 1999, península de Setúbal, tendo na altura sido adoptadas medidas para tentar confiná-lo a esta área. Em 2007, foi implementada uma faixa de contenção fitossanitária, com três quilómetros de largura e mais de 430 de comprimento, que obrigou à remoção de todos os pinheiros bravos numa área total de 130 mil hectares.
Mas já este ano foram detectados novos focos detectados em Arganil e Lousã, o que levou agora o Governo a proibir a exportação de madeira não tratada e a Comissão Europeia a considerar “inadequadas” as medidas tomadas até agora.
“O ministro disse há dois meses que não havia razões para alarme, que a propagação da doença não era rápida e que a responsabilidade é dos produtores. São três disparates”, afirmou Paulo Portas.
O líder centrista considerou que o Governo e o ministro da Agricultura foram “negligentes, incompetentes e irresponsáveis”, frisando que Jaime Silva “falhou três obrigações: delimitar a zona afectada; conter a doença; e conseguir a sua erradicação”.
Para além disso, sublinhou, o Governo “entrou pelas propriedades adentro, abateu árvores sãs permitiu a venda da madeira e não pagou aos produtores e já lá vai um ano”.


