O ministros dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, confirmou hoje a passagem pelos Açores de sete voos “de e para” a base militar de Guantánamo, mas assegurou que eram “voos militares” e não voos ilegais da CIA.
“Confirmo que houve voos ao abrigo da operação ‘Enduring Freedom’, mas não são voos da CIA. Houve voos militares para a base militar de Guantánamo e da base militar de Guantánamo ao abrigo de uma operação que tem mandato das Nações Unidas e da NATO”, afirmou Luís Amado, em declarações aos jornalistas à saída do plenário da Assembleia da República.
Na segunda-feira, durante uma reunião da Comissão do Parlamento Europeu que investiga a alegada utilização de países europeus para detenção e transporte ilegais de prisioneiros pela CIA na Europa, a eurodeputada socialista Ana Gomes referiu que o Governo português tinha confirmado a existência de sete voos da CIA nos Açores.
Confrontado hoje com estas declarações, o ministro dos Negócios Estrangeiros confirmou a passagem de sete voos pelos Açores, mas recusou que se tenha tratado de voos ilegais da CIA.
“Foram voos que são autorizados na base de uma autorização genérica para uma operação militar ao serviço das Nações Unidas”, assegurou Luís Amado.
Governo reitera boa-fé
“Não são voos da CIA, são voos militares”, sublinhou, confirmando que esses sete voos constam dos registos do ministério dos Negócios Estrangeiros.
Luís Amado acrescentou ainda que, havendo uma autorização genérica, “não cabe ao Estado português pôr em causa a boa-fé da gestão desses voos”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros reiterou ainda a “total boa-fé” com que o Governo português está a encarar a questão, insistindo que nada tem a esconder.
“Não tenho nada a esconder. Não autorizei, nem tive conhecimento de nenhum voo ilegal. Não tenho conhecimento de nenhuma autorização de nenhum voo ilegal”, salientou, garantindo que há da parte do Governo português “total franqueza”.


