Narciso repudia "calúnias" sobre expulsões no PS-Porto e ataca presidente da jurisdição

13.08.2010 - 10:14 Por Filomena Fontes
Ex-presidente da Câmara de Matosinhos diz que Fátima Felgueiras foi expulsa com Assis na liderança dos socialistas portuenses.
Ainda à espera de ser notificado da ordem de expulsão do PS, Narciso Miranda decidiu ontem passar ao contra-ataque e acusar o presidente da comissão de jurisdição do PS-Porto, Luís Cunha, de "fazer da intriga e da calúnia uma arma de combate político contra a razão". "É deliberadamente mentiroso dizer que houve expulsões quando eu era líder federativo. O presidente da comissão de jurisdição cita o caso concreto de Fátima Felgueiras. É verdadeiramente patético, porque é público e notório que, quando isso aconteceu, o presidente da federação chamava-se Francisco Assis", declara.
Ao PÚBLICO Luís Cunha aludiu às expulsões em Felgueiras para evidenciar que os alegados métodos "kafkianos e estalinistas" de que o ex-presidente da Câmara de Matosinhos se queixa resultaram dos mesmos regulamentos usados em mandatos de Narciso Miranda, enquanto líder federativo, quando vários militantes tiveram ordem de saída do partido por terem concorrido em listas adversárias em eleições autárquicas anteriores.
Escudando-se nos estatutos, Narciso rejeita qualquer responsabilidade nesses processos, lembrando que nunca foi presidente ou integrou qualquer órgão jurisdicional do partido. "Qualquer aprendiz ou estagiário da política ou do Direito sabe que, no PS, as únicas entidades para aplicar sanções são as comissões de jurisdição", alega.
Sem o explicitar com clareza, sugere que a proposta de expulsão da jurisdição distrital (aprovada na semana passada pelo órgão nacional do PS) e as posteriores declarações de Luís Cunha, que actualmente preside ao Instituto de Segurança Social do Porto, se devem a motivos que ultrapassam os estatutos. "Só uma pessoa que ocupa um cargo de nomeação na administração pública - e portanto dependente - se pode sujeitar a estas atitudes. Percebo e perdoo ao camarada Luís Cunha", sustenta.
Do que Narciso Miranda "não se lembra" é se durante os mandatos em que esteve na liderança dos socialistas portuenses também houve militantes com ordem de saída do partido por terem concorrido em listas adversárias. Importa-lhe antes proclamar que a candidatura independente Matosinhos Sempre, que ele próprio encabeçou ao lado dos cem militantes com ordem de expulsão, aconteceu porque "o PS não cumpriu as regras mais elementares dos estatutos". "Os candidatos à Câmara de Matosinhos não foram votados", denuncia Narciso.

