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Jerónimo pede deputado em Aveiro

Na Califa há camisas feitas, mas salários estão em atraso

22.09.2009 - 22:14 Por Maria Lopes

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Líder da CDU lamenta não ter nenhum deputado no distrito de Aveiro. Líder da CDU lamenta não ter nenhum deputado no distrito de Aveiro. ()
João Lobato não ficara satisfeito com a resposta de Jerónimo de Sousa no programa dos Gato Fedorento sobre o país onde o líder do PCP preferia viver – Suécia, Noruega ou Coreia do Norte. E foi-lhe perguntar ontem à tarde, quando Jerónimo descia, numa arruada, a avenida Dr. Lourenço Peixinho, no centro de Aveiro.

"Com a Coreia, culturalmente, não me identifico. Na Suécia é frio como um raio”, dizia-lhe o líder do PCP para dizer que o que prefere mesmo é Portugal, antes de lhe apertar a mão para continuar o seu caminho. “É uma resposta política, não se poderia esperar outra coisa. Mas também não podia deixar de lhe perguntar”, comentava depois, acrescentando ter gostado de ver o resto da entrevista.

Durante pouco mais de uma hora, Jerónimo e um grupo de apoiantes subiu e desceu a avenida, cumprimentou os comerciantes e quem passava, escapou a duas mulheres que gritavam numa esquina pela CDU fazendo pose para as câmaras, ouviu as queixas de um jovem sobre cursos de formação profissional e subsídio de desemprego e as de um fornecedor de frutas que está para receber facturas do Ministério da Defesa desde 2006. “Têm dinheiro para os aviões mas não para o que põem no prato para os militares comerem”, queixou-se.

Jerónimo não usou estes exemplos para arremessar contra a política do Governo no pequeno discurso que fez no final, já visivelmente cansado. Preferiu contar que apesar de a CDU não ter nenhum deputado por Aveiro, foram os eleitos da CDU por outros distritos que apresentaram na AR requerimentos sobre a região – mais até do que os eleitos do PS. Por isso, o líder da coligação PCP-PEV pediu um reconhecimento do trabalho feito: que o distrito lhe volte a dar o deputado que a então APU perdeu em 1987.

“Olhando para este distrito sentimo-nos injustiçados: depois de tanto esforço, tanto empenho, nas eleições nunca conseguimos chegar lá”, queixou-se o líder comunista.Do empenho da CDU no distrito, Jerónimo deu como exemplo o acompanhamento, desde há cinco anos, da complicada situação vivida pelos trabalhadores da empresa têxtil Califa, em São João da Madeira, que visitara no final do intervalo para almoço.

Ali a situação está complicada: a empresa com cerca de 200 trabalhadores – na sua maioria mulheres, mas há casos em que o casal está ali empregado – já pediu a insolvência, tem em atraso o subsídio de férias e um mês de salário. A laboração, no entanto, continua, e está marcada uma greve para o dia seguinte às eleições caso os salários (muitos deles de 425 euros) não sejam pagos até ao final da semana.

Classificando os atrasos dos salários como uma “brutalidade” e afirmando que a gerência tem recorrido à ameaça de despedimento, Jerónimo deitou culpas ao Governo pela situação. “O Governo chamou a si os créditos em desfavor dos trabalhadores e entregou a gestão ao Finibanco, a uma empresa de capital de risco”, contou, elogiando a “coragem das trabalhadoras que durante cinco anos nunca desistiram de lutar pelos seus direitos e pelo posto de trabalho”.

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Comentário + votado

jerónimo

Jerónimo de Sousa tem a particularidade de trazer para a campanha os problemas das pessoas.Os ...

carla lameira

23.09.2009 16:19

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