Um grupo de mulheres de militares entregou hoje no Governo Civil de Lisboa um pedido de autorização para uma manifestação a realizar na próxima quarta-feira "pelos direitos de cidadania e dignificação da família militar".
O pedido foi entregue em nome de uma auto-intitulada "comissão promotora dos direitos de cidadania dos militares", especificou à Lusa Tasso de Figueiredo, dirigente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA).
A entrega do pedido no Governo Civil para a "manifestação nacional da família militar" é o cumprimento de uma iniciativa anunciada na última quarta-feira pelo presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), António Lima Coelho.
O anúncio foi feito numa reunião de militares na Casa do Alentejo, em Lisboa, que serviu de alternativa à manifestação que chegou a estar prevista para o mesmo dia, desconvocada à última hora, depois de o Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa ter considerado a iniciativa ilegal.
O tribunal considerou então que as associações militares podem participar em manifestações (mediante certas condições), mas não convocá-las.
Antes, o pedido para a realização de uma manifestação, apresentado pelas três associações militares (ANS, AOFA e Associação de Praças da Armada) tinham já visto o pedido rejeitado por duas vezes pela governadora civil de Lisboa, Maria Rocha.
A manifestação do próximo dia 21, convocada pelas mulheres de membros das associações de militares partirá do Largo de Camões em direcção à Assembleia da República.
Apesar da contestação, Tasso de Figueiredo considerou ser ainda possível "haver um restabelecimento da confiança" entre as associações de militares e o Governo, desde que "seja feita" qualquer coisa nesse sentido por parte do ministro da Defesa, Luís Amado.
Convidar as associações a participar nos grupos de trabalho do ministeriais ou pôr termo aos inquéritos instaurados a militares que participaram fardados numa vigília em frente à residência do primeiro-ministro são alguns dos gestos do Governo que permitiriam "restabelecer a confiança", exemplificou.
Hoje também, quatro associações (AOFA, ANS, APA e Associação de Militares na Reserva e Reforma) entregaram no gabinete do presidente da Assembleia da República um ofício, acompanhado por 1500 assinaturas, a solicitar a discussão em plenário de uma petição entregue em Maio do ano passado.
Uma petição em que os militares denunciam o "incumprimento de leis que regulamentam direitos associados ao estatuto da condição militar", tais como o suplemento de condição militar ou o complemento da pensão de reforma.


