O líder parlamentar dos Verdes europeus, Daniel Cohn-Bendit, disse ontem, em Bruxelas, que Rui Tavares lhe comunicou a decisão de se juntar a esta família política na semana passada. Pouco depois, desmentiu as afirmações. Afinal, o contacto só tinha sido estabelecido na passada segunda-feira.
Numa primeira versão, Cohn-Bendit afirmou que "há meses" que tinham começado "conversas", mas não negociações, com o eurodeputado eleito pelas listas do Bloco de Esquerda (BE) ao Parlamento Europeu.
"Há meses que discutimos política. Em certo momento, ele disse que já bastava, que depois das eleições houve dificuldades dentro do seu grupo [Esquerda Unitária]. E, na semana passada, falou com o nosso grupo [Verdes Europeus], falou comigo antes, dizendo que havia problemas. Eu disse-lhe que a decisão era dele e foi na semana passada que ele disse que houve um aumento da tensão que o levou a decidir", disse Cohn-Bendit à Lusa.
No entanto, Rui Tavares negou as declarações do líder da bancada a que passará a pertencer a partir do próximo dia 27 de Junho, garantindo aos jornalistas que contactou "pela primeira vez" os Verdes na passada segunda-feira. E na sequência destas declarações, os Verdes emitiram um comunicado, no qual Cohn-Bendit afirma que houve um "mal-entendido" e que "somente a partir de segunda-feira" o grupo foi contactado pelo eurodeputado, que terá, nesse momento, expressado a vontade de integrar esta bancada.
Já ontem o PÚBLICO avançou que Tavares tinha dado nota, duas semanas antes das eleições legislativas, da sua intenção de abandonar a delegação do partido, segundo fonte próxima da direcção do BE. Mas segundo Tavares, a decisão de abandonar a delegação bloquista só foi tomada após a espera de três dias por um pedido de desculpas de Francisco Louçã, que não terá chegado. E que inviabilizou a sua continuidade, dada a quebra de "confiança pessoal e política" no líder do BE. O texto publicado por Louçã no Facebook, que acusa o eurodeputado de estar na origem de informações erróneas sobre os fundadores do BE, desencadeou a polémica.
O dia de ontem foi ainda agitado pelo pedido de renovação dos quadros dirigentes do partido. Primeiro, Miguel Portas defendeu - em entrevista ao jornal i - que a renovação "tem de passar pela saída dos quatro fundadores". Depois, a também eurodeputada Marisa Matias veio assinalar a importância dessa renovação "absolutamente necessária para o BE".


