Os movimentos que defenderam o "sim" no referendo afirmaram hoje que a vitória da despenalização permitirá interrupções da gravidez seguras até às dez semanas mas pode e deve conduzir também à realização de menos abortos.
"Não basta só tornar a interrupção voluntária da gravidez segura, é preciso que se torne cada vez mais rara", declarou Duarte Vilar, da Associação para o Planeamento da Família (APF), em nome dos cinco movimentos do "sim", reunidos no hotel Altis, em Lisboa.
"Estivemos desde sempre determinados a prevenir e a reduzir o mais possível o recurso ao aborto. Esta foi uma das razões que nos levou a propor a despenalização da interrupção voluntária da gravidez", acrescentou depois Duarte Vilar. "E é este trabalho que nos propomos continuar agora com mais determinação e entusiasmo. Ao trabalho", concluiu o mandatário do "Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim", aplaudido pelos apoiantes do "sim" que enchiam a sala da unidade hoteleira.
Duarte Vilar argumentou que a vitória do "sim" é "um desafio para todos quantos têm pugnado pelos direitos e pela saúde reprodutiva em Portugal", que devem assegurar "o acesso aos métodos contraceptivos, identificar grupos mais vulneráveis nesta matéria, continuar a desenvolver a educação sexual e contraceptiva dos jovens e da população em geral".
Profissionais de saúde, da acção social, professores, jornalistas, todos são "responsáveis nesse desafio", disse.


