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Última noite de campanha no Coliseu dos Recreios

Movimentos do "não" acusam "sim" de banalizar o aborto

09.02.2007 - 10:58 Por Lusa

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Os defensores do não defendem que a sua campanha tem sido moderada e em crescendo Os defensores do não defendem que a sua campanha tem sido moderada e em crescendo (Marco Maurício/PÚBLICO (Arquivo))
Os movimentos do "não" à despenalização do aborto acusaram o "sim" de ter "uma atitude fria que banaliza o aborto", considerando que está a aumentar entre os portugueses "o sentimento contrário ao aborto livre".

"Muitos portugueses sentem, na proposta do 'sim', uma atitude fria que banaliza o aborto (...) é também por isto que o 'sim' se afasta, dia após dia, um pouco mais do coração e da sensibilidade das mulheres e da sociedade portuguesa", afirmou Isabel Neto, médica e mandatária da plataforma Não Obrigada, numa declaração conjunta dos 14 movimentos cívicos contra a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

No encerramento da campanha em Lisboa, ontem à noite, no Coliseu dos Recreios, Isabel Neto defendeu que o "não" tem tido uma campanha moderada e "em crescendo", depois de hoje terem sido conhecidas duas sondagens que dão a vitória ao "sim" no referendo de domingo.

"Nos últimos meses os argumentos do 'não' fizeram o seu caminho, aumentando na população portuguesa o sentimento contrário ao aborto livre até às dez semanas", frisou.

Por outro lado, a mandatária da plataforma defendeu que "a maioria dos portugueses não vê como um bem, nem como uma prioridade, a utilização dos seus impostos para financiar a prática de abortos".

Isabel Neto retomou igualmente o argumento de que a despenalização aumentaria o número de abortos: "Em Espanha por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 19 abortos, em França por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 27 abortos, em Inglaterra por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 29 abortos".

"Não é esta a sociedade que os portugueses querem construir para o seus filhos", defendeu.

Paulo Portas: "sim" propõe a liberalização do aborto até às dez semanas

Nas primeiras filas da plateia do Coliseu estiveram presentes as principais caras do "não" nesta campanha, como o líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, Bagão Félix, Maria José Nogueira Pinto, Matilde Sousa Franco, Kátia Guerreiro ou Margarida Neto.

Se Ribeiro e Castro não quis fazer declarações, dizendo estar presente na qualidade de cidadão, já Paulo Portas, apesar de mais longe do palco do Coliseu, reiterou a sua defesa dos argumentos pelo "não".

"Se há vida tem de haver consequência. O que está em causa é um 'sim' que propõe a liberalização do aborto até às dez semanas sem que seja necessária invocar uma razão, sem que haja sequer aconselhamento médico", salientou o ex-líder do CDS-PP, acompanhado pelos deputados Telmo Correia e António Carlos Monteiro.

Noite centrada na música e no teatro

No entanto, a noite não foi centrada nas mensagens políticas e, excepção feita à declaração conjunta de todos os movimentos do "não", o encerramento da campanha em Lisboa centrou-se na música e no teatro.

O hino da plataforma Não Obrigada, um rap do grupo Força Suprema, foi o que mais entusiasmou os apoiantes do "não", que empunhavam bandeiras brancas e rosa.

"Porque já bate um coração, abortar não é solução", diz o refrão do hino, que tem versos como "deixa desabrochar essa linda criança" ou "teu filho não tem de pagar por um erro teu".

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?", é a pergunta que vai ser colocada aos eleitores no próximo domingo, igual à do referendo de 1998.

Para a campanha estão inscritos na Comissão Nacional de Eleições 19 movimentos de cidadãos (cinco pelo "sim" e 14 pelo "não") e dez partidos políticos.

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