Mota Amaral admite que terá que votar na comissão e seguirá "em princípio" a abstenção

17.03.2010 - 15:24 Por Lusa
O presidente indigitado da comissão de inquérito à actuação do Governo na compra da TVI, Mota Amaral, reconheceu hoje que não poderá abster-se de participar nas votações da comissão, como era sua intenção em nome da “absoluta imparcialidade”.
O ex-presidente da Assembleia da República preparava-se para não participar nas votações na comissão de inquérito a que preside, visando salvaguardar “a imparcialidade absoluta” do presidente da comissão, mas a conferência de líderes rejeitou o desejo expresso por Mota Amaral.
“Em face da leitura do regimento, isso não é possível. Mas seguirei, em princípio, a abstenção. Penso que é uma atitude de imparcialidade que, na questão em causa, acho que é necessária”, disse o deputado, em declarações à Agência Lusa.
Por iniciativa de Mota Amaral, a composição da comissão de inquérito foi alterada, tendo o PS “perdido” um deputado para o CDS-PP. Assim, o PS passou de oito para sete deputados, o PSD fica com seis, o CDS-PP com dois, e o PCP e o BE com um cada.
O deputado argumentou, e foi aceite em conferência de líderes parlamentares, que só a nova composição reproduzia aritmeticamente o plenário da Assembleia da República, em que o PS faz maioria com o PSD ou com o CDS ou com os partidos da esquerda juntos.
A nova composição, contestada pelo PS, permitia ainda “que a comissão funcione sem obrigar o presidente sistematicamente a utilizar o seu direito de voto de qualidade para desempate”, disse terça-feira Mota Amaral.
O deputado defendeu que se devia aplicar às comissões o princípio seguido pelo presidente da Assembleia da República que normalmente não vota e, quando quer votar, comunica-o previamente à mesa da Assembleia.
No entanto, esse entendimento não foi aceite em conferência de líderes.

