No dia em que a "lei da rolha" começou a ficar arrumada, o ex-número dois de Durão Barroso anuncia apoio ao eurodeputado.
A dez dias das eleições directas no PSD, e com a polémica da "lei da rolha" nos estatutos a perder terreno, com o consenso para reapreciar a norma no congresso de Abril, a campanha interna faz-se agora pelas estradas do país e na "gestão" de apoios. Ontem, o ex-ministro da Presidência Nuno Morais Sarmento anunciou o seu apoio a Paulo Rangel na corrida ao PSD.
Primeiro - o "mais importante e questão decisiva" - por o projecto de liderança do eurodeputado social-democrata ser aquele que "dá sentido ao caminho de dificuldades e sacrifícios que é exigido aos portugueses". Além do mais, Rangel é "quem tem melhores condições de derrotar o PS e o engenheiro Sócrates" se se realizarem eleições. "Já o fez uma vez [nas europeias do ano passado] e é ele que tem melhores condições quando a questão se colocar", afirmou o ex-número dois de Durão Barroso e actual presidente do conselho de jurisdição nacional, que também elogia José Pedro Aguiar-Branco, outro dos candidatos, a par de Pedro Passos Coelho.
Ontem, e ao contrário do que aconteceu desde domingo, quando o congresso extraordinário de Mafra aprovou um agravamento das sanções disciplinares a quem critique "as directrizes" do partidos nos 60 dias anteriores a eleições, o dia de campanha foi dominado por outros temas. Debaixo de fogo do PS, que hoje levam o tema da "lei da rolha" a debate no Parlamento, os candidatos remeteram ontem a questão para segundo plano. Afinal, há um consenso (de Passos Coelho e Rangel, pelo menos) para voltar a discutir o assunto e revogar a norma. Até porque, na opinião de dirigentes nacionais do partido ouvidos pelo PÚBLICO, este assunto, pela forma como está a ser explorado pelo PS, acaba por prejudicar os sociais-democratas.
No dossier "lei da rolha" pronunciou-se ontem o ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa para dizer que considera "constitucional" a norma aprovada no congresso de Mafra. Mas condenou que o PSD tenha ido "a reboque" do PS ao "copiar" uma regra idêntica dos socialistas que pune quem critica as opções da direcção.
Já o constitucionalista Jorge Miranda, ex-deputado à Constituinte, tem opinião contrária. A alteração estatutária "põe em causa a liberdade de expressão dos militantes" e "o princípio do artigo 51.º da Constituição, que é o princípio da organização democrática dos partidos, com participação de todos os seus membros".


