O antigo ministro social-democrata e presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, Nuno Morais Sarmento defende que se devem apurar responsabilidades dentro do Ministério Público (MP) sobre o facto de a investigação do caso Freeport ter ficado parada durante os últimos quatro anos. “Alguém tem de ir para o olho da rua”, disse, em entrevista ao programa “Falar claro” da Rádio Renascença.
"Se afinal esta investigação andou durante quatro anos a dormir na forma, quando é uma investigação que envolve um candidato e agora, nesta altura, um Primeiro-ministro em exercício de funções, alguém tem que ir para o olho da rua" afirmou Nuno Morais Sarmento.
Morais Sarmento apontou culpas aos “responsáveis do MP”, que devem responder pelo sucedido “em vez de andarem a fazer campanhas que não lhes compete de defesa do primeiro-ministro".
“Nunca em Portugal em 30 anos de Democracia a Drª Cândida Almeida ou quem exercesse essas funções fez uma campanha televisiva durante uma semana para ilibar um Primeiro-ministro".
Na mesma entrevista, o deputado socialista e antigo ministro da Justiça Vera Jardim considerou que a directora do DCIAP, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, fez o que devia: “ Não podemos atirar a culpa disto tudo para a justiça portuguesa", acrescentou, elogiando a abertura do inquérito para averiguar a origem das fugas ao segredo de justiça.
Morais Sarmento, que afirma ter acompanhado o processo na transição do Governo de António Guterres para o de Durão Barroso, criticou ainda Jorge Sampaio por este ter feito declarações sobre o caso referindo “alguma decisão de vontade consciente do dr. Durão Barroso sobre este diploma", tomada na altura.
Vera Jardim, por sua vez, acusou Morais Sarmento de sugerir que Jorge Sampaio quis “proteger Sócrates e prejudicar Durão Barroso”, chamando o social-democrata de "uma espécie de ferro de lança do PSD”.



