Ministro Luís Amado salienta papel da presidência portuguesa na libertação das enfermeiras búlgaras

24.07.2007 - 12:46 Por Lusa
O ministro português dos Negócios Estrangeiros e presidente em exercício do Conselho da União Europeia, Luís Amado, saudou hoje a libertação das enfermeiras búlgaras e do médico palestiniano que tinham sido condenados a prisão perpétua na Líbia. O responsável disse que a libertação dos detidos contou com a participação activa da presidência portuguesa.
As cinco enfermeiras e o médico tinham sido condenados à morte por inoculação deliberada do vírus da sida em 438 crianças, mas mais tarde viram as suas penas comutadas para prisão perpétua. Apesar da condenação, não ficou provado em tribunal que os profissionais de saúde tivessem a intenção de contaminar as crianças com o vírus.
Em reacção ao anúncio, o ministro português salientou hoje que o repatriamento das enfermeiras para Sófia era o grande objectivo da presidência portuguesa, que diz ter participado activamente nas negociações com Trípoli em articulação com a acção diplomática francesa, ainda que de forma "muito discreta".
"Nós estamos satisfeitos com o resultado destas negociações", disse Luís Amado, assinalando que, quando as negociações se intensificaram — sobretudo desde domingo — a presidência portuguesa esteve "em contacto permanente" com a comissária dos Negócios Estrangeiros, Benita Ferrero-Waldner, "que negociou em nome da Comissão as condições que permitiram às enfermeiras búlgaras ser repatriadas para a Bulgária".
Questionado sobre o papel desempenhado por França no processo — e designadamente a intervenção pessoal da mulher do Presidente francês, Cecilia Sarkozy —, o ministro considerou a acção diplomática francesa "normal".
"Devo sublinhar, contudo, que ela foi directamente articulada com a presidência [portuguesa], embora o tenhamos feito de uma forma muito discreta, garantindo através da relação com a comissária Benita os termos exactos em que o acordo foi firmado, já na madrugada de hoje, em Trípoli", disse.
Luís Amado acrescentou que Lisboa tinha como objectivo "que as enfermeiras búlgaras fossem para a Bulgária o mais rapidamente possível" e que a presidência considerou que "todo o esforço de intermediação que pudesse contribuir para a realização deste objectivo" era favorável.
Novas relações com a Líbia
A terminar, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse esperar que o desfecho deste processo contribua para que "se normalizem as relações com a Líbia" e "possibilite um conjunto de novas abordagens de outro tipo de problemas para os quais a Líbia é seguramente um actor de relevo importante para a UE".
Detidas desde Fevereiro de 1999, as enfermeiras Kristiana Valtcheva, Nassia Nenova, Valia Tcherveniachka, Valentina Siropoulo e Snejana Dimitrova e o médico de origem palestiniana Achraf Joumaa Hajouj, recentemente naturalizado búlgaro, regressaram hoje à Bulgária num avião oficial francês.
Juntamente com as enfermeiras e o médico também regressou à Bulgária Zdravko Georgiev, médico e marido de Kristiana Valtcheva, que foi absolvido em 2004 quando os restantes arguidos foram condenados à morte.
As enfermeiras e os dois médicos chegaram a Sófia na companhia da mulher do Presidente francês, Cecilia Sarkozy, e da comissária europeia Benita Ferrero-Waldner, que se tinham deslocado a Trípoli no domingo para tentar acelerar o processo de extradição.
Tal como estava previsto, o grupo chegou a Sófia por volta das 08h00 (hora em Lisboa), onde foi recebidos pelas mais altas figuras do Estado búlgaro: o Presidente, Georgi Parvanov; o primeiro-ministro, Sergei Stanishev; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ivailo Kalfin; o presidente do Parlamento, Georgi Pirinski; e por inúmeros deputados, diplomatas, famliares e amigos.

