Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que valeu a pena convidar Zimbabwe para cimeira UE/África

26.04.2008 - 11:03 Por Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que valeu a pena convidar Robert Mugabe para a cimeira UE/África de Lisboa e defende que a actual crise política no Zimbabwe obriga a Europa a defender princípios em vez de prescrever soluções.
"Olhando para trás, não tenho qualquer hesitação em afirmar que valeu a pena ter convidado o Zimbabwe para a cimeira UE/África e a prova disso foi a esmagadora participação dos chefes de Estado e de governo africanos e europeus", disse Luís Amado num seminário sobre diplomacia portuguesa na África Austral, que terminou ontem à noite na capital sul-africana.
"Longe vai o tempo em que a Europa ditava e impunha as suas regras. Temos de perceber que o mundo mudou e que a relação com África mudou, sendo hoje as elites africanas muito ciosas do seu estatuto de independência e do seu papel incontornável para a resolução dos conflitos que ocorrem em África", salientou o MNE português.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, a situação actual do Zimbabwe, onde se instalou uma profunda crise política em consequência da não divulgação dos resultados das eleições presidenciais de 29 de Março último, obriga a Europa a trabalhar em conjunto com os africanos na defesa dos princípios comuns à União Europeia (EU) e à União Africana (UA) de democracia, boa-governação e transparência, ao invés de prescrever soluções.
O ministro fez um balanço positivo do seminário onde participava, que juntou, para além do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, os embaixadores de Portugal na África do Sul, Zimbabwe, Moçambique, Angola e República Democrática do Congo, bem como os presidentes do Instituto Camões e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, entre outros responsáveis de instituições do Estado com influência na acção diplomática.
"O Estado português sairá claramente reforçado na sua intervenção na região em resultado deste seminário", concluiu Luís Amado.
O seminário analisou as diversas vertentes da diplomacia portuguesa numa região considerada de grande importância estratégica, histórica e económica, onde pontuam dois importantes países de língua oficial portuguesa (Moçambique e Angola) e um outro, a África do Sul, onde a comunidade portuguesa tem um peso considerável.
Na opinião de Luís Amado, o seminário identificou a necessidade de uma melhor coordenação futura entre os diferentes agentes da política, diplomacia, economia e da cultura na região.
O ministro revelou ainda à Lusa que o Governo anunciará em breve "novas e importantes orientações que terão grande incidência na expansão da língua e no apoio aos valores da língua e da cultura portuguesas na região".
Para Luís Amado, Portugal ganhou espaço em África no seu todo após a cimeira EU/África de Dezembro do ano passado, devendo, por isso, adaptar a sua intervenção no continente e na sub-região em particular, à sua renovada capacidade de intervenção.
Elisabeth Sidiropoulos, investigadora do Instuto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA), Chris Moroleng e Wafula Okumu, do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), fizeram exposições dedicadas à política africana perante os diplomatas portugueses, contribuindo para uma melhor leitura da evolução política da região.
A África Austral, composta por 14 países com uma população combinada de 240 milhões de pessoas e um PIB de 430 mil milhões de dólares, vai entrar numa fase política decisiva, com importantes testes eleitorais a realizarem-se este ano em Angola e em 2009 na África do Sul, Moçambique e Botswana.

