Ministro da Saúde acusa Observatório de falta de rigor e de credibilidade 
20.06.2006 - 10:57 Por Lusa
O ministro da Saúde acusou hoje o Observatório dos Sistemas de Saúde de falta de rigor e de credibilidade, numa reacção ao relatório daquela entidade sobre a acção governativa no último ano. De acordo com o documento, os medicamentos vendidos fora das farmácias são mais caros, o que contraria um dos pressupostos definidos pelo Governo aquando do anúncio da medida.
António Correia de Campos afirmou que a conclusão do Observatório Português dos Sistemas de Saúde "não corresponde à verdade" e que o organismo "não a fundamenta".
O ministro da Saúde assegurou que a leitura do observatório "não corresponde à realidade" e adiantou que, segundo uma amostragem feita pela autoridade regulamentar do sector referente a este mês, realizada em 44 das 161 lojas já autorizadas a vender fármacos sem receita médica, o preço destes medicamentos está "cinco pontos mais baixo do que a base observada em Agosto de 2005".
Correia de Campos disse também que são esperadas variações nos preços destes fármacos consoante o regime de propriedade das lojas onde são vendidos - entidades individuais ou cadeias. "É de esperar que as lojas em nome individual tenham mais dificuldade em baixar os preços", salientou o ministro.
O responsável pela pasta da Saúde lamentou ainda que o Observatório dos Sistemas de Saúde, "uma instituição que devia ter exigência de rigor, não o tenha cumprido e tenha ido atrás das opiniões de um grande grupo económico que sempre se manifestou contra a venda de medicamentos fora das farmácias", acusou, escusando-se a identificar a que entidade se refere.
Para o ministro, as conclusões a que chega o observatório "criam um problema muito desagradável" à própria instituição. "O Observatório tinha credibilidade, no passado", mas, ao divulgar um documento "sem fundamentar determinadas conclusões, vai beliscar [a credibilidade] dos anteriores" relatórios.
O ministro refutou também as críticas de falta de uma estratégia clara no sector, contrapondo com o Programa do Governo e com o Orçamento de Estado para 2006, escusando-se a comentar a crítica de incapacidade para explicar às populações as transformações em curso, como o fecho de blocos de parto e a reorganização das urgências. "Isso é um juízo de valor. Não comento", disse.
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