Ministro da Justiça garante que reforma do mapa judiciário entrará em vigor esta legislatura

20.02.2008 - 19:08 Por Lusa
O ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu hoje que o Governo vai "levar por diante" a reforma do mapa judiciário e que este entrará em vigor nesta legislatura, com ou sem acordo do PSD.
"A posição do Governo é clara, o país precisa desta reforma", disse Alberto Costa, em conferência de imprensa, realizada após ter sido informado da atitude do líder do PSD de recusar a proposta de mapa judiciário.
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, anunciou ontem que é impossível chegar a acordo com o Governo sobre o mapa judiciário.
Na sua declaração de hoje, Alberto Costa disse que o Governo foi confrontado com "um acto unilateral de ruptura" por parte do PSD, não tendo recebido qualquer contra-resposta à proposta que havia sido entregue a este partido a 20 de Dezembro último.
O membro do Governo considerou que a posição assumida ontem pelo líder do PSD surgiu "ao arrepio do acordo e sob falsos pretextos". "Há uma distinção a fazer entre reformas e populismo", disse Alberto Costa, sugerindo ainda que a falta de respeito pelo acordo resulta de "táctica eleitoral".
Alberto Costa reiterou que o mapa judiciário "não propõe encerramento dos tribunais, nem a desertificação do interior" do país, assegurando antes "novas valências" nos tribunais e "uma Justiça especializada", incluindo áreas como o Direito do Trabalho e Comércio.
Nas palavras de Alberto Costa, com o novo mapa judiciário "haverá melhoria e diversificação dos serviços de Justiça à disposição das populações do interior". "Não é abandonando as reformas que se combate o abandono do interior. É com reformas. Isso requer, para lá de uma retórica, uma genuína vontade reformista", disse.
O acordo político parlamentar entre PS e PSD para a reforma da Justiça prevê que o mapa judiciário entre em vigor nesta legislatura em três das novas circunscrições: Baixo Vouga, Grande Lisboa/Noroeste e Alentejo Litoral.
O ministro garantiu que "vão continuar" as consultas e as reuniões com todos os interlocutores do mundo judicial, social e autárquico, para que "a solução final inclua um maior número de aperfeiçoamentos" ao mapa judiciário.
A conferência de imprensa hoje dada pelo ministro da Justiça ocorre no "último dia" estipulado para receber do PSD as suas posições e alternativas em relação à proposta do Governo sobre a reforma em causa.
"Não tivemos qualquer contra-proposta, quer sobre o mapa, quer sobre o modelo de gestão", vincou o ministro, para quem este acto foi praticado "ao arrepio do acordo institucional" celebrado entre o PS e o PSD.

