Ministro da Cultura anuncia acordo com empresas de obras públicas com vista a recuperar património 
03.02.2009 - 20:29 Por Lusa
O ministro da Cultura anunciou hoje no Parlamento um acordo com empresas de construção civil que tenham a seu cargo obras públicas no sentido de ajudarem à recuperação do património em risco.
As empresas que aderirem a esta parceria e a que sejam adjudicadas obras públicas terão de aplicar em espécie um por cento do valor total destas em restauro, explicou o ministro.
As obras de recuperação a realizar ao abrigo deste protocolo, que terá uma duração de três anos, serão supervisionadas pelo IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico).
O acordo será firmado em breve e abrangerá empresas com obras adjudicadas num valor igual ou superior a 2,5 milhões de euros, indicou à Lusa o ministro, adiantando que a escolha das obras alvo da intervenção de recuperação está a seu cargo.
José António Pinto Ribeiro falava hoje numa reunião da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura que se prolongou por quatro horas e na qual compareceu depois de, há um mês, ter sido aprovado por unanimidade um requerimento a solicitar a sua presença.
A reunião começou num clima de crispação, com o ministro a ouvir críticas dos deputados da oposição pela demora em comparecer na Assembleia da República.
Teresa Caeiro, deputada do CDS-PP, foi a primeira a criticar a demora do ministro em prestar esclarecimentos no Parlamento, mas Feliciano Barreiras Duarte, do PSD, chegou mesmo a dizer que, enquanto se escusava a comparecer na Assembleia da República, Pinto Ribeiro era visto "em muitas iniciativas culturais do croquete".
O mesmo deputado fez um balanço negativo de um ano de Pinto Ribeiro em funções, alegando que o ministro tem "um verbo farto, mas que pouco se traduziu em resultados práticos".
Também o PCP, pela voz de João Oliveira, criticou o ministro, considerando que "não pode ser aceitável" que um requerimento da comissão "possa ser tão olimpicamente ignorado".
O ministro respondeu que só recebeu a convocatória para a reunião a meio de Janeiro e que não houve qualquer desrespeito pelo Parlamento.
"Não sou capaz de me rever nestas críticas", afirmou, dirigindo-se ao PSD.
Considerou ainda que o requerimento apresentado no início desse mês pelo CDS-PP, a solicitar a sua presença para responder essencialmente a questões relacionadas com a preservação do património, reagia "a foguetes" e fora feito com "precipitação" no dia em que o semanário “Expresso” publicava um artigo sobre o património em risco.
Pinto Ribeiro indicou que, em 2008, a execução orçamental foi superior a 100 por cento na área da cultura e que, em matéria de património, a verba gasta rondou os 100 milhões de euros.
"Não vemos que haja uma situação de calamidade", assinalou, adiantando que o património classificado pela Unesco também não corre qualquer risco de ser desclassificado.
O ministro respondeu depois a outras questões dos deputados e anunciou que os serviços de arqueologia do IGESPAR (ex-Instituto Português de Arqueologia), a funcionarem actualmente em Belém, seriam transferidos para a Cordoaria Nacional, à Junqueira, também em Lisboa. Para o espaço actualmente ocupado por estes serviços, umas antigas instalações militares, está projectado o novo edifício do Museu dos Coches.
O ministro informou igualmente que a parte relativa à arqueologia subaquática ficará integrada no Museu de Marinha, também em Belém.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

