Ministro António Costa apela à mobilização "de todos" no combate aos incêndios

21.03.2006 - 15:46 Por Lusa
O ministro da Administração Interna, António Costa, apelou hoje à mobilização "de todos" no combate aos fogos florestais, salientando que essa tarefa não é compatível com "guerras de capela" e "falta de humildade".
António Costa, que falava durante a apresentação do projecto "Floresta Verde" para reduzir a área ardida em Portugal, aludia à polémica gerada em torno da colocação de militares da GNR na liderança de equipas de socorro.
Os comandantes do distrito de Coimbra demitiram-se em protesto contra a nomeação de um militar da GNR para a direcção do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS). A Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) também já exprimiu o seu descontentamento, alegando falta de coordenação entre os bombeiros e a GNR, e lançando a ameaça de os bombeiros só apagarem fogos no seu concelho.
António Costa sublinhou que a rapidez no combate aos incêndios é determinante, mas considerou que a "tarefa não é compatível com guerras de capela e faltas de humildade".
O governante salientou que o voluntariado é a "espinha dorsal do sistema de protecção civil" e deve ser "acarinhado", mas também tem de ser complementado.
"Na directiva operacional que está a ser preparada pelo comando do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, os papéis de cada um [bombeiros e GNR] vão estar bem definidos", declarou, explicando que quem "faz uma coisa não faz outras".
Ou seja, uns actuarão a nível de primeira intervenção, outros no ataque inicial e outros ainda estarão direccionados para a fase de rescaldo.
Questionado sobre a polémica que as medidas do Governo suscitaram junto dos bombeiros, o ministro salientou que "a Liga dos Bombeiros Portugueses tem estado a trabalhar com o MAI [Ministério da Administração Interna]" e que vão ser clarificados os papéis para impedir "a sobreposição de funções e a confusão".
"Cada um deve cumprir a sua missão", vincou o titular da pasta da Administração Interna, adiantando que é preciso "cooperar e mobilizar novos parceiros como a GNR".
O ministro afirmou que os comandantes dos bombeiros estão "com grande empenho" a dar formação aos militares e que apenas em Coimbra "existe crispação".
Negou ainda que esteja em curso a "militarização" na protecção civil, reforçando que "não há ninguém acima nem abaixo dos bombeiros".
Liga exige valorização do papel dos bombeiros
O presidente da LBP, Duarte Caldeira, afirmou, por seu turno, que as discordâncias não se prendem com a abordagem teórica, mas com a aplicação prática das medidas, e exigiu que o papel dos bombeiros seja valorizado.
"A estrutura do dispositivo de protecção civil sustenta-se em 90 por cento nos bombeiros. Qual é a aposta que o Governo quer fazer nesta força", questionou.
Duarte Caldeira mantém a hipótese de os bombeiros não participarem no combate a fogos fora do concelho de cada corporação, se não forem clarificadas as competências de todos os intervenientes.
"Se quando chegarmos a Outubro os resultados [da época de incêndios] forem negativos, a culpa volta a ser dos bombeiros, como aconteceu noutros anos", considerou.
Para reduzir os incêndios, o Governo aposta em quatro vertentes: melhor vigilância e mais fiscalização, melhor detecção, intervenção mais rápida e extinção mais rápida.
"Cada minuto que se perde, é uma área ardida que aumenta", lembrou o ministro António Costa.
No que respeita à detecção de incêndios, "este é um ano de transição" em que a GNR vai assumir uma responsabilidade acrescida, explicou o ministro.
A primeira intervenção vai ser complementada com um investimento nas brigadas helitransportadas e com o Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro da GNR com 315 elementos que vai intervir nos cinco distritos mais críticos: Vila Real, Viseu, Coimbra, Leiria e Faro.

